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1 de junho de 2015

1 de junho de 2015 por Maria do Céu Barros comentários
Colecção de assentos encontrados "aqui e ali" e que, pela sua invulgaridade, linguagem, ou simples nota de humor - ou ainda por abrirem uma janela para as mentes do passado - achamos por bem reunir. Outros mais se seguirão, na melhor oportunidade. (Clicar nas imagens para aumentar).


Nº. 5


Aliviar a consciência - Passô, Moimenta da Beira, 9/3/1721

E no mesmo dia acima aos nove dias do mês de Março de mil e setecentos e vinte e um anos baptizei solenemente a Domingos filho de Isabel solteira (...) e deu por pai a Domingos Ferreira casado (...) e sendo como ele diz (...) foi feito sendo ele solteiro. Foram padrinhos o mesmo domingos Ferreira e Luísa filha de Inês Rodrigues viúva que ficou de Manuel de Paiva (...) e declaro mais neste assento que uma filha desta mesma Isabel solteira que está no livro que acabou a folhas cento e oito verso chamada Ventura tinha por pai a António solteiro filho de Manuel ... já defunto e de sua mulher Maria de Paiva me disse a dita Isabel solteira pusesse aqui por pai dela a Caetano solteiro filho de Manuel das Neves e de sua mulher Maria Rodrigues Neves porque era seu e não queria encarregar sua consciência e suposto o deu por pai no outro assento foi por ter dele outra filha e andar em demanda com ele e poder perder o seu direito a que tudo jurou aos santos evangelhos e foram testemunhas do referido Domingos Teixeira e ....da dita freguesia e por verdade fiz este assento com esta declaração que assinei dia mês e ano ut supra
-rec Manuela Alves

Pater ignoratur, ou talvez não - Olhão, 16/8/1759

Maria filha, cujus pater ignoratur, e de Maria Rosa escrava do Reverendo Prior desta igreja Doutor Sebastião de Sousa nasceo aos dezasseis dias do mes de Agosto de mil e sette centos e cincoenta e nove annos (...) sendo padrinhos o Reverendo Padre Frutuoso Rodrigues Pinto somente de que fis este termo que assignei dia era ut supra.
- rec Luís Tavares, B5 Olhão pag 42v


Certo é que... tinha mais de 200 anos - Olhão, 11/11/1816

Aos onze dias do mes de Novembro de mil oitocentos e dezasseis annos faleceu Diogo [rasurado] viuvo de Theresa de Jesus desta vila recebeo os Sacramentos da Igrª. Foi por mim encomendado e sepultado nesta Igrª sua Parochial. Consta me ser o homem mais antigo q havia neste vila disse q tinha cento e vinte annos. O certo he q o seu nascimento hé anterior da era de 1615 o q alcança o mais antigo livro de baptizados q tem esta Igrª e por ser perdido e primeiro livro, não pode exactam.te averiguar ... a sua idade. Havia treze annos q estava entrevado Quasi nunca se queichava nem gemia virava quasi continuam.te. Agradecia o q lhe davão, mas não falava do passado, nem do presente. De que fis este termo que assignei.
-rec Luís Tavares - Olhão . Lº Ob 1803/1818


Engeitada, mas não ignorada - Orada, 18/7/1679

Constou me que no lugar do Outeiro desta freguesia da Senhora da Orada nascera uma menina filha de Maria moça solteira filha de Francisco Lopes do dito lugar, e me constou que a tal menina depois de nascida havia cinco ou dez dias a foram pôr por engeitada sem ser baptizada nas portas do convento de Santa Clara da cidade de Coimbra e examinando este caso me veio uma certidão autêntica como a dita criança fora baptizada na igreja de S. Bartolomeu da dita cidade aos treze dias do mês de Julho da era de mil e seiscentos e setenta e nove anos pelo padre Manuel Gonçalves ... na dita igreja de licença do reverendo Prior e foi padrinho o Padre Manuel Ferraz e me constou pela dita certidão que a criança engeitada por nome Isabel fora levada de Santa Clara pelo Mister João Esteves tosador que ao tal tempo servia na mesa ... e se baptizou na dita igreja de S. Bartolomeu e por me constar de verdade fiz este assento hoje dezoito dias do mês de Julho de mil seiscentos e setenta e nove anos.

«Um assento curioso não só por provavelmente ser o único documento que revela informação sobre a família desta exposta como, caso raríssimo, demonstra a diligencia e preocupação de um cura em saber e registar o que sucedeu a uma menina nascida na sua paróquia e levada para ser deixada como enjeitada»
- rec Edmundo Vieira Simões


Engeitada em berço "dourado" - Santa Maria de Oliveira, Mesão Frio, 24/5/1696

Dona Francisca, enjeitada, filha de Pais nobres, e de limpo sangue, foi baptizada pelo seu Pároco aos vinte e quatro dias do mês de Maio de mil seiscentos e noventa e seis, e por sua via me foi mandada entregar para eu a mandar criar, e lhe fazer a solenidade do baptismo, tudo debaixo do segredo da Confissão, e à meia noite, estando bem escuro, batendo-me à janela da câmara em que eu dormia, ia com advertência deste negócio, lançando eu uma cesta com uma corda, sem eu ver, nem falar com pessoa alguma, a meteram na cesta, e puxando eu pela corda, trouxe a menina, e a lancei na cama até a entregar à Ama, e lhe fiz os Exorcismos em os treze de Agosto do mesmo ano, e se lhe dilataram porquanto quem ma recomendou queria vir assistir, e por resolver não convinha vir, lhos fiz assistindo a eles o Rev.do João de Carvalho Pereira e Domingos Martins, ambos desta freguesia. E para tudo poder assim constar fiz este assento." Ass. Francisco Gonçalves Cardoso, Abade; P.e João de Carvalho Pereira; D.os + Miz. 
Averbado à margem: "faleceu a 12 de Novembro de 1698; foi sepultada na Capela de Jesus Cruxificado junto da escada do púlpito, e foi a primeira pessoa que nela se sepultou.
- rec Rita VZ


Marido incógnito -  Infantas, Guimarães, 5/4/1634

Aos cinco de Abril do ano de mil seiscentos e trinta e sete se receberam nesta igreja conforme o rito do sagrado concelho tridentino, Isabel Gonçalves de S. Paio lugar desta freguesia com seu primeiro marido [ espaço ] foram testemunhas...
-rec MC Barros


Monsieur La Palice - Adaúfe, Braga, 1773/1865

- " Maria, rapariga do sexo feminino...";
- " Maria, criatura do sexo feminino...";
- " José António, rapaz do sexo masculino...";
- " José, infante do sexo masculino..."
- rec Eva Marques


Alcunhas - São Cristóvão de Ovar, 18/10/1887

(...) compareceram os nubentes Francisco de Oliveira e Maria de Jesus, a Careca e o Corcunda em mancebia (...)
- rec Ricardo M. Nunes‎


Casamento clandestino - S.Martinho de Mouros, Resende 16.5. 1758

Aos dezoito de Maio de 1758 estando eu a dizer Missa no altar Mor desta Igreja Colegiada de São Martinho dos Mouros deste Bispado de Lamego ouvi a voz de um homem que dizia está aqui alguma mulher que queira casar comigo? e logo respondeu uma mulher aqui está Ana Maria: ao que o dito homem respondeu: eu recebo a vós por minha mulher, e continuou com mais palavras que eu não percebi e a dita mulher lhe tornou a responder mas não percebi mais palavras do que as referidas mas sempre assentei que eram conforme marido e mulher que se foram a receber clandestinamente, e não percebi todas as palavras que disseram mutuamente mais do que as referidas porque apenas percebi ser matrimónio clandestino todo o cuidado apliquei a clamar por Manuel da Silva sacristão desta igreja, e pelo beneficiado Francisco Coelho que estavam na Sacristia para que acudissem a prendê-los o que não fizeram porque logo as ditas pessoas fugiram, e na Igreja se achava nessa ocasião só uma moça do lugar do ... chamada Leonor que diz não perceber as ditas palavras de forma que as possa juntar ele Sacristão e o dito Padre supra referidos também dizem não ouviram: que o dito homem que fez o dito clandestino se chama José Barbosa solteiro filho de Pantaleão Barbosa caseiro da quinta de Cardoso desta freguesia ao qual conheci muito bem naquele gesto e a dita mulher não conheci, e me disseram que era uma viúva da cidade do Porto: e que o dito José Barbosa me consta ter vencido para casamento por duas sentenças uma Marcelina Bernarda de Magalhães do lugar do Bairro de que fiz este assento para constar era ut supra.
-rec Manuela Alves, com transcrição por Madalena Campos - PT/AMDL/PRQ/RSD14/002/0003 Imagens 62 a 64

Se achou hum home morto - S. Mathias, Évora,  26 de Junho de 1730

Em os quinze dias do mês de Junho de mil e sete centos e trinta annos se achou hum home morto dentro do senteio da erdade da Albaneija já corrupto e em tal estado que se não poude conhecer nem se soube quem foi. Trazia hua vestia azul, e hums calsoens azuis e hum certú branco de pano fino, e hua camisa fina, e humas meias de saragoça quasi novas parecia beirão desses que trazem bestas carregadas de pano de linho; porque se lhe achou hum tinteiro na algibeira e junto delle huma vara de tanger bestas, e por estar em tal estado que estava meio comido da praga o mandei enterrar junto donde se achou morto por não haver quem pudesse chegar a elle com mao cheiro, e se lhe pôs huma cruz mataramno, e roubaramno, e só se lhe achou huma facada debaixo do sovaco esquerdo em cima do coração; e se algum dia se procurar fiz esse assento para por ele se tomar informação.
AD de Évora - Paróquia de São Matias, liv. 17, f. 86
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