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30 de abril de 2018

30 de abril de 2018 por MC Barros comentários
Com um agradecimento ao Ricardo Brochado, que nos lembrou da existência online desta obra, ainda não referenciada neste blog, a Tese de Doutoramento de José Augusto de Sottomaior Pizarro, intitulada Linhagens Medievais Portuguesas, Genealogias e estratégias (1279-1325) é uma obra incontornável para todos aqueles que desejam conhecer, com rigor histórico, as genealogias da Idade Média.



Citando o autor:

Nobres, porém, de 25, ou de 101 linhagens diferentes, com origens variadas, quer no tempo quer no espaço, ocupando níveis distintos dentro da sua classe, que podiam ir dos Infantes ou ricos-homens até ao mais miserável dos escudeiros de província. No fundo, não pretendemos, com este trabalho, enquadrar funções, actividades, estatutos ou outras características específicas. Queremos, sim, e dentro das nossas várias limitações, reconstituir vidas, dar corpo a nomes perdidos na documentação e ligados por laços de sangue ou de afinidade. Os dados recolhidos sobre cada um deles permitem fazer uma ideia do estatuto e do comportamento social dos nobres, mas a sua lista está longe de ser exaustiva. Constituem apenas uma amostra representativa do conjunto. Neste sentido, e na nossa perspectiva, continuamos a acreditar que a Genealogia se apresenta como uma das abordagens metodológicas mais frutuosas para o conhecimento da nobreza, como da sociedade em gera, e para o qual este trabalho pretende, modestamente, contribuir. Assim, o que constitui o núcleo central deste trabalho são as reconstituições genealógicas ou, homenageando um dos nomes maiores da genealogia portuguesa, as Histórias Genealógicas das linhagens previamente seleccionadas. Será a partir delas que, depois, na terceira e última parte, se procurará definir e caracterizar a nobreza dionisina, através da análise do património, das relações com a corte, e das alianças matrimoniais.

São três volumes, dos quais estão disponíveis online dois, com reconhecimento óptico de caracteres (OCR), sendo, por isso, pesquisáveis. No volume I, Capítulo 4, a partir da página 153 da numeração original inicia-se as Linhagens, que são depois continuadas no segundo volume.

Tal como nos diz Ricardo Brochado, é uma obra gigantesca, certificada com a respectiva documentação, e que será de um valor excepcional para todos os que tenham a sorte e o ensejo de recuar até ao século XIV.

Linhagens Medievais Portuguesas - Volume I e II 
Universidade do Porto


Do mesmo autor:



23 de abril de 2018

23 de abril de 2018 por Gnealogiafb2 comentários

Por Ricardo Brochado

Partilho convosco um valioso artigo da Dra. Amélia Polónia, docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que inclui uma listagem de Mestres e pilotos das carreiras ultramarinas: (1596-1648).

Livro de Lisuarte de Abreu, 1565


O artigo em causa pode ser consultado online, mas, quando a FLUP, procedeu à digitalização dos artigos, a tecnologia de OCR (reconhecimento de caracteres) ainda não estava disponível. Assim, para facilitar a pesquisa, converti as listagens com um software de OCR, permitindo a procura. No entanto o software possui limitações: se a palavra possuir acentuação não será reconhecida - por exemplo, para localizar “António” terão que procurar por “Ant”; também não pagina muito bem, tendo tudo que ser feito de forma manual, daí a aparência tosca dos ficheiros. No entanto reconhece o texto.
Etas listagens constam no artigo a partirá da página 52 do artigo da FLUP, cujo link se refere acima (página 323 da paginação original).

O índice está dividido em dois ficheiros PDF, por limitações do software, sendo que no segundo está a folha em falta da primeira série de ficheiros.

Inclui, para cada indivíduo, a data de nomeação, a posição ocupada, a carreira a morada - não indica a naturalidade - e claro, a referência do documento fonte.




13 de abril de 2018

13 de abril de 2018 por Manuela Alves comentários

Por José Luís Espada Feyo

D. Doroteia Maria Rosa Brandão Ivo Pedegache, existiu na Lisboa do século XVIII e inspirou indelevelmente a criação da célebre Blimunda, personagem central do “Memorial do Convento” de José Saramago.
Tal conclusão está muito bem explicada e dissecada no ensaio literário “A mulher e utopia em José Saramago – a representação de Blimunda em Memorial do Convento”, da autoria de Burghard Baltrush, no qual tive a sorte de tropeçar.



Na obra “Descrição da Cidade de Lisboa”, publicada em 1730, o seu autor falava já detalhadamente de D. Doroteia Pedegache e de seus poderes sobrenaturais:

“uma rapariga portuguesa que nasceu com uns olhos que bem pode dizer-se de lince; possui desde a mais tenra idade o dom de ver no interior do corpo humano bem como nas entranhas da terra. Aparentemente os seus olhos são como os do comum dos mortais, apenas muito grandes e verdadeiramente belos. Ela vê no corpo humano os abcessos e outras incomodidades e muitas vezes fica indisposta por ver o corpo das pessoas atacadas de doenças venéreas. Ela vê a formação do quilo, sua distribuição e distingue a circulação do sangue. Nunca se engana, em mulheres grávidas de mais de sete meses, no sexo do fruto que trazem no seu ventre. A sua vista penetra a terra no lugar onde há nascentes que ela descobre a uma profundidade de trinta ou quarenta braças, sem recurso a vara; diz com precisão o curso da água, a profundidade a que se encontra a nascente e distingue as cores e variedade das camadas de terra que existem sob a superfície. Este dom maravilhoso só o usufrui enquanto está em jejum; contudo, já lhe aconteceu depois da sesta, ter momentos de visão mais penetrante do que de manhã e então ter visto nos corpos através dos trajos o que ordinariamente não descobria através da pele”.

Tais relatos ganharam eco além fronteiras quando em 1738 o viajante e escritor francês Charles Frédéric de Merveilleux a refere nas suas Mémoires, que foram depois traduzidas noutras línguas europeias:

“conseguia ver o corpo humano, bem como o dos animais por dentro e outrossim o interior da terra a uma grande profundidade. Existe em Lisboa e nos arredores um grande número de poços que foram abertos por indicação desta mulher, que garantia onde e a que profundidade se encontrava água abundante e sempre se verificou com exacta precisão qualquer das suas previsões. O mesmo direi em relação à faculdade que tem esta senhora de ver no corpo humano as obstruções que se formam nas partes nobres ofendidas quando as pessoas se desnudam na sua presença”.

Em 1777, os seus dons são objecto de estudo na Academia de Ciências de Paris e em 1817 a sua história é ainda apresentada como assunto de grande actualidade no Edimburgh Magazine.
Ao contrário de muitas outras pessoas, que gozavam de fama idêntica, e que por isso morreram nas fogueiras dos Autos de Fé, D. Doroteia Pedegache, curiosamente, nunca foi perseguida pelo Santo Ofício, o que em grande parte se explica pela sua elevada posição social. Seu marido, Pierre Baptiste Pedegache, nobre francês instalado em Lisboa, era dos mais abastados e influentes comerciantes e banqueiros da cidade, muito próximo do Rei, e toda a sua família vivia na esfera da corte - seu filho Miguel Tibério era Moço de Câmara de um dos Infantes e a Rainha Consorte madrinha de baptismo de um dos seus filhos.
A esse propósito se escreveu à época, dizendo-se: “El Rei e os homens entendidos estão convencidos que não há impostura nestas manifestações e tanto assim é que Sua Majestade lhe fez mercê, antes dela casar, do dom, que não é muito vulgar em Portugal, e do hábito de Cristo para seu marido”.

Conhecedor desta figura da Lisboa setecentista e da sua singular história, com a qual terá esbarrado nos minunciosos e aprofundados estudos de época que sempre antecediam os seus romances de cariz histórico, José Saramago inspirou-se nela para criar a famosa personagem, em tudo idêntica.

Todas as características de Blimunda, nos mais pequenos pormenores, foram assim bebidos nesta singular senhora - até na circunstância de D. Doroteia perder a sua "singular faculdade nas mudanças do quarto de lua", conforme consta no relato de 1730, à semelhança do que acontece no romance com a personagem - tudo devidamente comprovado no referido ensaio que citei supra, só diferindo no estrato social, onde Saramago optou por apresentá-la numa pessoa humilde do povo – porventura em razão das suas convicções ideológicas – ao contrário de D. Doroteia Pedegache, senhora de elevada posição social e económica.


por Unknown comentários

 Com a publicação on line da Décima de 1725, está disponível na totalidade a série "Lançamento da Décima da Cidade" na página do Arquivo Histórico Municipal do Porto.

 Freguesias


Publicado em 27-06- 2017
Temos a alegria de informar que, em resultado de uma colaboração do GenealogiaFB, em particular da Manuela Alves, com o Arquivo Histórico Municipal do Porto, foi iniciada a publicação online da série Lançamento da Décima da Cidade 1698 – 1725. Trata-se de assentos relativos ao lançamento da décima sobre propriedades, trabalho (maneio) e dinheiro emprestado a juros. A série pode ser consultada em http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/694638/

 O Arquivo Histórico Municipal prossegue com a colocação on line do Lançamento da Décima da Cidade

Actualização 31-10-2017

Ano 1703

 relativo às Justiças e notas dos tabeliães:

 relativo às freguesias:


Actualização 06-10-2017
Ano  1702
relativo às freguesias:
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/705102/documents/
 relativo às Justiças e notas dos tabeliães
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/705102/

Ano  1704
relativo às freguesias:
 http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/709332/documents/
  relativo às notas dos tabeliães e Justiças:
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/709332/

Ano 1704-1705
relativo às freguesias:
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/707310/documents
relativo às notas dos tabeliães e Justiças:
http://gisaweb.cm-porto.pt/units-of-description/series/707310/

Actualização 14-09-2017: 

Casa do Infante


No clip em baixo, realizado por Manuel Fernando Mondina Ferreira, encontram algumas informações úteis sobre como fazer a pesquisa, para os menos habituados com o Gisaweb.



Sobre a Décima e a sua importância para Genealogia, sugerimos a leitura do artigo «A Décima, um imposto pouco explorado, mas de interesse genealógico», publicado neste blog. 

Os nossos agradecimentos ao Arquivo Histórico Municipal do Porto. Que outros Arquivos sigam o o seu exemplo de serviço público.

kwADPorto

2 de abril de 2018

2 de abril de 2018 por Manuela Alves comentários
A publicação on line das Décimas pelo Arquivo Municipal do Porto motivou-me para alargar o nosso campo de pesquisas genealógicas, explorando outros recursos, existentes no Arquivo, que pudessem servir para aprofundar as nossas investigações.
Meti mãos à obra em relação aos prazos camarários do Porto por uma dupla razão: encontrei pouca informação publicada susceptível de esclarecer as minhas dúvidas (que eram mais que muitas), e constatei a existência de documentação no AHMP, que julgo pouco divulgada e que seria bom ser trabalhada por investigadores que aí encontrariam matéria-prima para trabalhos académicos sobre a história da cidade.


Mas nada como exemplificar através de alguns "casos", que fui publicando no grupo  do Facebook,  que prolonga este blogue,  a  contribuição dada pelos prazos para a identificação dos espaços urbanos que foram mudando de nome ao longo dos tempos.
Em 14.8.1536 o Senado da Câmara actualiza o foro de um cerrado ou quinta de 50 para 70 réis, situado na Rua da Cordoaria Velha, na entrada do Norte onde se chama a pedra escorregadia, perto da fraga e caminho que desce da Porta do Olival para Miragaia emprazado a Maria Perez e sua filha Cecília. Era um pomar de laranjeiras e outras árvores, limitado num lado pelo quintal de Afonso Pires, cordoeiro, e do outro pelo chão do Estrepam que se chama e foi jazigo de judeus que é fraga.
Data de 14 de Janeiro de 1615 o emprazamento pelo Senado da Câmara de “huma moradia de casas na Rua do Corpo da Guarda, junto da Travessa do Forno que vai para a rua Escura e ao canto da Calçada [ …] pelo foro de 35 réis a Francisco Pereira”
No dia 9 de Outubro de 1692 a Câmara do Porto emprazou ao arrais Domingos da Costa, pelo foro de 40 réis, um terreno para fazer casas, "sito por detrás do caminho do cano que vem da fonte de Malmejudas, para o chafariz da Praça da Ribeira, na mesma correnteza de casas que vem para a Fonte da Areia" Fonte de Malmejudas? Fonte da Areia?
Tive a sorte de encontrar este blogue da autoria de Vitorino Beleza e Sofia Fernandes "O Porto e a Água", parte II, que me esclareceu e que vos esclarecerá também, se o lerem , chamando a vossa atenção para as fotos 9, 10 e 11 e o texto que as acompanha.

O índice que aqui vou partilhar convosco é um mero instrumento de pesquisa e divulgação que foi construído a partir de índices manuscritos, elaborados no século XIX e que ampliei em termos informativos, tendo em vista a sua utilização para fins genealógicos, precedido por um quadro onde constam as cotas dos originais utilizados na elaboração dos índices, tendo em vista a sua consulta pelos interessados em ampliar a informação necessariamente sintetizada num índice
Esta ferramenta irá sendo completada à medida que eu for consultando esses índices (foi uma trabalheira descobrir a cota actual dos livros de que se serviram esses "beneméritos " (pois que utilizaram transcrições do século XVIII dos documentos em letra gótica. que eram já, nessa altura, de difícil leitura), apesar de ter contado com os bons ofícios dos funcionários do Arquivo, sempre que pedi o seu auxílio). Vai publicado em post separado Prazos da Câmara do Porto - Guia para consulta e solicitação

E não posso deixar de publicamente exprimir a minha opinião, manifestada em primeiro lugar in loco. Não tenho formação arquivística para avaliar da "excelência " do GISA para pessoal formado e treinado mas estou perfeitamente à vontade do ponto de vista do utilizador: é um sistema nada amigável para o utilizador comum e não presencial (os presenciais poderão contar com os funcionários de serviço e com ficheiros de pesquisa próprios alojados nos computadores da sala)

Das entradas registadas neste livro, elaborado segundo um critério cronológico,  Índice Geral de Prazos e Notas 1429 - 1780  -  Cota IA-27 AHMP é importante chamar a vossa atenção:
  • Para facilitar a transcrição e a leitura, a grafia foi actualizada e a redacção alterada , quando necessária Como as fontes são referidas,  um maior rigor é possível por quem o desejar.
  • Os dados fornecidos deverão ser confirmados pela consulta das fontes. Foi um trabalho solitário e apesar do cuidado posto, erros são possíveis. Agradecemos a comunicação para serem corrigidos.
  • Foram apenas considerados os registos relativos a prazos, quer a novos emprazamentos, quer em relação a acordos (concertos) sobre o valor de foros.
  • Nas notas registei, não exaustivamente, outros dados que me pareceram relevantes para a identificação de pessoas e locais.
Para saber mais:
Prazos ou contratos enfitêuticos
Prazos do século e prazos de Deus: os aforamentos na Câmara e no ...

A administração municipal do Porto no século XVIII  - Biblioteca estante Geografia Histórica kwADPorto
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