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  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

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5 de agosto de 2015

5 de agosto de 2015 por Manuela Alves comentários
FONTE

Donald Ramos      Do Minho a Minas Ensaio  Revista do Arquivo Público Mineiro  Junho 2008

Este estudo tem como propósito explorar um contexto histórico específico por meio do exame dos antecedentes portugueses do tipo de família que se desenvolveu em Minas Gerais, região central da exploração do ouro no Brasil, durante o século XVIII.
Ele também está fundamentado em três questões centrais: (1) a família portuguesa não era uniforme, sendo marcada por variações regionais distintas; (2) os imigrantes que vieram para Minas Gerais eram oriundos, principalmente, do norte de Portugal, uma região socialmente distinta; e (3) a natureza e estrutura da família do norte de Portugal eram bastante similares às encontradas em Minas Gerais durante o século XVIII e início de século XIX. O trabalho sugere ainda que tais similaridades podem ser explicadas por meio da predominância da imigração norte-portuguesa para a região aurífera de Minas Gerais, a qual tinha, num sentido amplo, características econômicas semelhantes às do norte de Portugal. […] 


É extraordinariamente difícil obter informações relativas à imigração de Portugal. Embora o sistema de passaporte tivesse sido instituído em Portugal em 1720, num esforço para restringir o número de nacionais que viajavam ao Brasil, fica claro que essa e outras regras restritivas foram largamente desobedecidas, uma vez que milhares de portugueses chegaram aos portos do Brasil em busca de fortuna.  Não obstante, é possível  se ter uma idéia da natureza dessa imigração a partir de amostragens de registros paroquiais e notariais para determinar quem chegou. Obviamente, essa é uma maneira inadequada de se contar o número de pessoas que saiu de Portugal, mas é um método que permite localizar as regiões de onde se partiu.
Para se obter uma amostra qualitativa dos padrões migratórios, as seguintes fontes foram pesquisadas:registros paroquiais de casamentos e testamentos, e processos da Inquisição. Apesar da diversidade, todas as três fontes levaram a conclusões bastante similares – o que empresta credibilidade às conclusões. […]
Essas fontes vêm corroborar a crença, comum no próprio século XVIII, de que o norte era a fonte de emigrantes para as regiões mineradoras do Brasil. A lei portuguesa de 20 de março de 1720, que em vão obrigou o uso do passaporte, especialmente no Minho, mencionou: “[anteriormente] tendo sido o mais povoado, hoje é um estado no qual não há pessoas suficientes para cultivar a terra ou prover para os habitantes.”[1] A notícia das  minas de ouro brasileiras atraíu tantos milhares de homens do norte que tornou a emigração, antes de tudo, uma válvula de escape, uma ameaça temporária à economia das regiões de origem.
A migração parece ser um aspecto comum da vida no século XVIII, tanto em Portugal como na sua colônia brasileira. O exemplo de João Teixeira, preso em 1765 por bigamia, é típico:

Ele nunca saíra dos domínios de Portugal e nele havia vivido em Porto Formoso, sua terra natal, e na cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, de onde ele veio para esta cidade de Lisboa, onde viveu por três anos, daqui embarcando para Pernambuco, capitania na qual residiu na cidade de Olinda e nas cidades de Santo Antonio de Olinda, Jaguaripe, Rio Fermozo, Agoa Petuda, e Goyana, e passando por muitas outras terras.[2]

Em outro exemplo, João Rodrigues Mesquita, que recebeu sentença de prisão por praticar o judaísmo,
nasceu em Vinhais. A linguagem usada para descrever os lugares onde residiu indica a ligação ininterrupta de imigrantes, muito viajados, com sua terra natal.
Mesquita registrou que “sempre” havia morado em Vinhais – exceto por 12 anos e meio em que viveuem Viana do Castelo e, de passagem, em Braga e em “alguns outros locais na província do Minho”.  Ele, casualmente, relatou que no Brasil residira em Vila Rica, Guarapiranga e Tejuco, onde a família foi presa.[3] O que impressiona sobre Mesquita é que ele fez tudo isso antes dos 34 anos, idade em que foi preso. Ou seja, ele passou mais de um terço de sua vida fora de seu local de nascimento, mas em sua mente “sempre” residira lá. Mesquita, como é possível perceber, estava longe de ser um caso isolado.
Ao contrário, é extremamente difícil encontrar nesses registros uma pessoa que não tenha vivido fora de seu local de origem.
Essa mobilidade espacial não era restrita aos portugueses. Os perseguidos pela Inquisição, nascidos no Brasil, demonstraram a mesma tendência à mobilidade. […] O que surpreende o leitor desses relatos é o fato de os residentes de Portugal e suas colônias, no século XVIII, encararem a viagem como algo natural. […]
Esse contínuo e complexo padrão de imigração e migração interna é relevante para a questão da formação da família e para a configuração social do casamento.
A contínua emigração de Portugal, especialmente do norte, teve o efeito de impor, e, ao mesmo tempo,reforçar um conjunto de valores específicos sobre o ethos social de Minas Gerais. Esse mecanismo funcionou de forma semelhante à contribuição cultural que os escravos africanos trouxeram ao Brasil, especialmente em cidades como Salvador. […]
Contemplada como um todo, a sociedade mineira surge com o mesmo conjunto de características sociais do norte de Portugal. Esse universo engloba predominância demográfica de mulheres livres, uma grande proporção de famílias chefiadas por mulheres, baixas taxas de casamento, idade ao se casar mais tardia que o esperado,  uma tendência entre as mulheres solteiras de estabelecerem em domicílios independentes, altas taxas de ilegitimidade e abandono infantil e baixas proporções de famílias nucleares sacramentadas pelo matrimônio. Os mesmos indicadores também são encontrados no Minho e no Douro.
O argumento central deste estudo é de que os emigrantes portugueses que vieram para Minas Gerais eram, em sua maioria, originários do norte de Portugal, onde a estrutura familiar e domiciliar diferia das outras partes do reino.
Esses emigrantes trouxeram para Minas Gerais um conjunto  particular de valores sociais e culturais que, no ambiente social e cultural mineiro, apesar das diferenças superficiais, era muito semelhante ao que haviam deixado para trás.


[1] Lei  de  20  de  março  de  1720,  mencionada  em  HIGGS,  David. Portuguese Migration Before 1800. In: HIGGS (Ed.). Portuguese Migration in Global Perspective..., p. 18
[2] ANTT,  Inquisição  de  Lisboa,  9690,  João  Teixeira,  1765.
[3] ANTT, Inquisição de Lisboa, 8018, João Rodrigues Mesquita, 1735



1 de agosto de 2015

1 de agosto de 2015 por Manuela Alves comentários

FONTE: António Borges Coelho, Inquisição de Évora Dos primórdios a 1668 - vol. 2 - Caminho,  Lisboa, 1987  pp. 25-27

Os móveis e as roupas
Os móveis da casa eram escassos.
O estrado constituía uma peça comum, a zona de estar, nos paços ou nas casas remediadas. sobre os estrados, as esteiras e as almofadas onde pousavam ou se reclinavam os corpos, as mãos das mulheres na dança das agulhas ou do bordado. Nas paredes ricas, penduravam-se guadramecins no Verão, alcatifas no Inverno. E em quase todas as casas, painéis figuravam Cristo, Nossa Senhora ou os santos.
Em todas as casas a cama constituía a peça fundamental, espaço da vida e da morte e também aposento de receber e estar. A sua maior ou menor riqueza inculcava uma distinção social, e as cortinas do leito, se serviam de aparato, tinham também a função de resguardar, de olhos profanos, em casas superlotadas, a intimidade do casal. Um leito dourado podia ascender a 16 000 réis, isto é, tanto como o comer e dormir de um estudante por todo o ano.O leito de pau-santo do doutor António Homem tinha botões dourados e cortinas. O leito da irmã de Gabriel da Costa, Margarida da Costa, em pau-brasil, marchetado de marfim, valeria uns 15 000 réis, tanto como a tença régia de Luís de Camões.
Mas não era só o leito. Uma colcha da Índia, de retrós, poderia valer 18 000 réis; um cobertor de grã com barra de veludo 10 000 réis; umas cortinas de seda para o leito 16 000 réis. [...]
As roupas do corpo são poucas, algumas muito ricas. Maria da Costa,  do Porto,  a irmã do nosso conhecido Gabriel da Costa, usava um vestido de veludo preto e roxo com passamanes de ouro de 30000 réis e um vestido de damasco amarelo e roxo de 15 000. Emprestara uma vasquinha para as festas de S. Roque nas Taipas. (As santas vestiam como as burguesas ricas). Além dos vestidos, das vasquinhas, possuía dois gibões, um de cetim verde com passamanes; 2 corpinhos de mal colchoado às cores; um manto novo, um roupão; uma mantilha de veludo azul bordada a ouro de 2000 réis; uma gargantilha de ouro de 6500 réis; 2 camisas, uma de linho fino, outra de holanda com uma ceroula do mesmo tecido. (1) [...]

(1) ANTT, Inquisição de Coimbra, Processo nº 5675

30 de julho de 2015

30 de julho de 2015 por Manuela Alves comentários
Neste conjunto encontram-se processos  a pessoas acusadas  de diversos crimes de blasfémia,  de heresia, em todas as suas versões, de feitiçaria, de bigamia, de sodomia e suspeitos de ideais maçónicos. Mas apesar da sua variedade, em termos numéricos ficam muito aquém dos processos movidos aos acusados de judaísmo.


Com as leis pombalinas, a Inquisição viu sair da sua alçada as funções de censura  e foi equiparada aos outros tribunais régios O regime liberal deu~lhe a machadada final quando as Cortes Constituintes , em 1821,  decretaram a sua extinção.



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE ÉVORA - OUTROS PROCESSOS

DISTRITODISTRITODISTRITO
BEJACASTELO BRANCOÉVORA
FAROGUARDALEIRIA
PORTALEGREOUTROS DISTRITOSAÇORES-IMPÉRIO
OUTROS PAÍSESNÃO IDENTIFICADOSLISTA GERAL
kwADÉvora
por Manuela Alves comentários
Com a indexação dos processos do Tribunal do Santo Ofício de Évora, conclui-se este conjunto de instrumentos de investigação genealógica centrados na investigação das raízes cristãs-novas, por parte daqueles que procuram conhecer melhor os seus antepassados.  
No blogue e nas mensagens dedicadas a esta problemática encontram bibliografia acessível on line que permitem contextualizar as informações veiculadas, bem como auxiliar a leitura e interpretação dos processos.


A tabela dos processos segue o mesmo modelo da tabela de Inquisição de Lisboa, com as diferenças inerentes às disparidade das descrições arquivísticas, bastantes vezes a exigir uma revisão da leitura documental de forma a corrigir erros, mas que não foi possível na falta de digitalizações.
Finalmente, e a jeito de conclusão: melhor poderia talvez ter sido feito com mais tempo, mas preferimos  concluir o tema, deixando material de trabalho para os tempos livres de férias e mais disponibilidade de tempo para as nossas próprias investigações genealógicas.

Os restantes processos que não envolvem cristãos-novos foram publicados num post separado.




PROCESSOS INQUISIÇÃO DE ÉVORA - CRISTÃOS-NOVOS

DISTRITODISTRITODISTRITO
Lista GeralLista XNOVOSNão Identificados
BejaBragançaCastelo Branco
ÉvoraFaroGuarda
LisboaPortalegreSantarém
SetúbalOutros DistritosOutras Origens
kwADÉvora

20 de julho de 2015

20 de julho de 2015 por MC Barros comentários

Aviso (17-10-2016): a versão 9030808 do iMacros, lançada em Agosto de 2016, contém diversos problemas que poderão impedir as macros de funcionar correctamente. Caso uma ou mais macros deixem de funcionar depois de actualizar o iMacros para esta versão, a solução é reverter para a versão anterior. Podem instalar versões anteriores a partir da página de extras do Firefox.


Como é do conhecimento geral, os livros paroquiais estão frequentemente inacessíveis devido a problemas técnicos nos servidores dos arquivos, sobretudo nos horários em que é possível à maioria das pessoas dedicarem algumas horas às suas pesquisas. As macros são, por isso, uma ajuda preciosa, no entanto apenas permitem o download de um livro de cada vez.


Não seria óptimo poder fazer o download de vários livros seguidos, para ler fora do horário de trabalho, ou durante o fim-de-semana, altura em que os arquivos têm mais tendência para falhar?
A partir de uma macro que o Luís Salreta nos enviou, e a quem agradecemos, desenvolvemos duas mini aplicações para esse efeito, uma para o sistema Digitarq e outra para o Archeevo. Para a nova versão do Archeevo, usada por alguns arquivos, incluímos um script separado que também funciona no Archeevo antigo.

Digitarq 
e Archeevo Antigo
Archeevo Antigo e Novo


As instruções são idênticas às das outras macros:
1- Descarregar o ficheiro zip
2- Extrair o conteúdo para a pasta onde guardam as macros do iMacros (normalmente será na pasta Documentos\iMacros\Macros).
Como se tratam de scripts java (JavaScript ou JScript) os ficheiros têm extensão js, e aparecerão junto com as outras macros na janela iMacros do Firefox.



Antes da execução


Para utilizar o JScript é essencial que o 1º e último livro a descarregar tenham uma numeração consecutiva. 

Para verificar a numeração dos livros:

1 - Abrir a página do arquivo que contém a listagem dos livros
     Exemplo: http://pesquisa.adporto.pt/details?id=538848

2 - Verificar se os livros que desejam copiar têm um número de ID consecutivo
  • Dica: para obter o número de ID de cada livro, coloque o rato sobre a descrição do livro e verá aparecer na parte inferior do browser o link para esse livro, que termina sempre em id=xxxx.


Neste exemplo a numeração é consecutiva até ao livro 8. Neste caso iremos fazer o download dos primeiros 8 livros e só depois os restantes.

Execução


1 - abra o 1º livro a descarregar, para visualizar as imagens (tem de abrir o livro e não apenas a página de descrição do mesmo)

2 - Selecione a macro correspondente ao sistema usado pelo arquivo (Digitarq ou Archeevo) e clique no botão "Usar"

2 - Ser-lhe-á pedido o directório onde deseja guardar as imagens. Pode aceitar a sugestão ou teclar o caminho para outro directório. Independentemente do directório escolhido, o JScript criará sempre dentro dele uma pasta para cada livro descarregado. O nome da pasta será a refª do livro no arquivo. Clique OK para continuar.
Dica: como obter o caminho de um directório
a - Abra o Explorador do Windows
b - Navegue até à pasta onde quer guardar os livros
c - Clique com o botão direito do rato na caixa superior do Explorer e, de seguida em "Copiar endereço".



d - Cole esse endereço na caixa de diálogo do JScript.


3 - Introduza a URL do 1ª livro a copiar
  • Dica: pode copiar o link da barra de endereços e colar na caixa de diálogo


4 - Introduza a URL do último livro da sequência (pode voltar a colar o link que copiou da barra de endereços e mudar o id para o número do último livro). Clique OK.
A execução inicia-se e poderá acompanhar o progresso através da caixa de feedback do iMacros.



Para utilizadores mais experientes, o JScript incluí algumas opções avançadas que podem ser editadas directamente no JScript.


18 de julho de 2015

18 de julho de 2015 por MC Barros comentários
Ao longo da nossa pesquisa em Genealogia vamos recolhendo e acumulando um número cada vez maior de imagens digitalizadas, sejam fotografias, prints de documentos, mapas, recortes de imprensa, ou outros.  Tentamos incluir a informação mais relevante no nome do ficheiro, mas, como nem tudo cabe no nome da imagem, é frequente surgirem dificuldades com a identificação completa das imagens.

Neste tutorial explica-se a forma como pode ser feita a identificação de imagens, para que se possa rapidamente saber a que se refere, quem nela aparece, datas, refª de arquivo, etc., facilitando, simultâneamente, a pesquisa das mesmas.



Propriedades das imagens

Todas as imagens incluem uma série de propriedades que podem ser visualizadas e, algumas delas, editadas. Estas propriedades são gravadas com a própria imagem o que significa que, ao copiar, transferir ou enviar uma imagem a alguém, elas vão incluídas.

Para aceder às propriedades apenas é necessário clicar com o botão direito do rato sobre uma imagem e, de seguida, no separador Detalhes.



Ao colocar o ponteiro do rato sobre a coluna Valor, à frente de cada descrição, surgirá uma caixa de edição para todas as propriedades passíveis de serem alteradas. Nessa caixa podemos teclar o nosso próprio texto.

Título é usado por vários programas para legendar as imagens.

Assunto poderá ser aproveitado para adicionar uma descrição geral do tipo de imagem, ou seja, temas em que queremos dividir as imagens (Assentos, Fotos, Mapas, etc). Neste caso, como se tratam de imagens incluídas em trabalhos de Genealogia, optou-se por Genealogia-IMG-Fotos

Etiquetas: permite adicionar várias, separadas por um ponto e vírgula.

Comentários: um campo óptimo para listar os nomes das pessoas que aparecem nas fotografias uma vez que  permite adicionar um pequeno texto.

No caso de a imagem ser um documento, as propriedades são também muito úteis. Informações relativas à data, intervenientes, referência do arquivo, nome do arquivo, etc., podem ser incluídas na própria imagem através das suas propriedades. Em Origem podemos adicionar o nome da entidade que possuí o original da imagem, assim como a data. Autores poderá ser a paróquia. Cada um aproveitará este recurso da forma que melhor lhe convier.



Algumas propriedades podem ser editadas directamente na pasta onde se encontram, como é o caso das etiquetas.



Pesquisar através das propriedades

Na caixa de pesquisa, dentro de qualquer pasta, teclar o nome da propriedade seguida de dois pontos (:) e do texto a procurar (não é necessário teclar o texto completo). Serão listadas todas as imagens existentes no computador cujas propriedades incluam o texto inserido. Se a propriedade tiver mais do que uma palavra deverá ser teclada sem espaços (tiradaem: em vez de tirada em:). Por outro lado, para procurar uma frase, como um nome, deve-se incluir o nome entre aspas.



Exemplo: se foram adicionadas referências de livros nas etiquetas, para encontrar todas as imagens desse livro existentes no computador, teclamos etiquetas:PT/AMAP/PRQ/PGMR72/1590/P-886

É também possível combinar vários termos de pesquisa. Por exemplo:
assunto:Assentos etiquetas:"João Marques"

Algumas propriedades
assunto:
etiquetas:
título:
autores:
tiradaem: (apenas funciona para datas posteriores a 1899)
copyright:
comentários:

Mais informação nas páginas da Microsoft, em Mudar as propriedades de um ficheiro.

10 de julho de 2015

10 de julho de 2015 por Manuela Alves comentários
Depois da publicação dos índices de todos os processos do Tribunal da Inquisição de Lisboa pela Paula, é altura de dar seguimento à busca das raízes cristãs- novas  através dos processos do Tribunal da Inquisição de Lisboa relacionados com cristãos-novos, que se encontram todos digitalizados. 
Recomenda-se vivamente a leitura do primeiro post desta série Em busca das raízes cristãs-novas I.


A coluna do Excel intitulada Distrito é referente aos Distritos actuais das localidades mencionadas na naturalidade e, na sua falta, na morada destinada à localização dos Arquivos onde poderão ser procuradas informações genealógicas complementares.




PROCESSOS INQUISIÇÃO DE LISBOA - CRISTÃOS-NOVOS

DISTRITODISTRITOREGIÃO
AveiroLeiriaAçores
BejaLisboaMadeira
BragaPortalegreÁfrica-Ásia
BragançaPortoBrasil
Castelo BrancoSantarémEspanha
CoimbraSetúbalOutras Nações
ÉvoraViana CasteloNão Identificados
FaroVila Real
GuardaViseuLISTA GERAL
kwADLisboa
por Manuela Alves comentários
Como o nosso propósito inicial, ao indexar os processos da Inquisição de Coimbra,  era proporcionar um instrumento de investigação das raízes cristãs-novas dos nossos antepassados, deixamos de parte os outros processos em que os acusados não eram declarados como sendo cristãos-novos, total  ou parcialmente.
São todos esses outros processos da Inquisição de Coimbra que aqui se indexam, com a referência possível aos Distritos/Concelhos como se encontram agrupados nos Arquivos Distritais ou similares. de forma a permitir a sua ligação com outros tipos de fontes.



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE COIMBRA (Outros Processos)

DISTRITO
DISTRITO
Aveiro Porto
Braga Viana Castelo
Bragança Vila Real
Castelo Branco Viseu
Coimbra Outros Distritos
Guarda Ultramar
Leiria Outros Países
Portalegre Não Identificados
Lista Geral
kwADCOIMBRA

28 de junho de 2015

28 de junho de 2015 por Paula Peixoto comentários
Índice de solicitações de passaportes,do ADB, cujo os processos se encontram online para consulta no Family Search em: http://goo.gl/5iKezN

Passaporte familiar, 1945

ANO ÍNDICE ÚLTIMA ACTUALIZAÇÂO
1890
ExcelNovembro 2014
1891
ExcelNovembro 2014
1892
ExcelNovembro 2014
1893
ExcelNovembro 2014
1894
ExcelNovembro 2014
1895
ExcelNovembro 2014
1896
ExcelNovembro 2014
1897
ExcelNovembro 2014
1898
ExcelNovembro 2014
1899
ExcelNovembro 2014
1900
ExcelNovembro 2014
1901
ExcelNovembro 2014
1902
ExcelNovembro 2014
1903
ExcelNovembro 2014
1904
ExcelNovembro 2014
1905
ExcelNovembro 2014
1906
Novembro 2014
1907
21.11.2014
1908
29.11.2014
1909
01.01.2015
1910
15.06.2015
1911
28.06.2015


originalmente publicado em 15/9/2014
kwADBraga

7 de junho de 2015

7 de junho de 2015 por Manuela Alves comentários
 Entre os 22 colégios universitários existentes em Coimbra até 1834, contava-se o Real Colégio de São Pedro, criado em 1545 pelo canonista Rui Lopes de Carvalho, e instalado desde 1572 junto ao Paço da Alcáçova, na Alta da cidade. O Colégio foi extinto em 1834, mas ao contrário do que aconteceu com outros, a sua biblioteca, com espécies dos séculos XVI a XIX, conservou-se intacta por ter sido afecta ao uso da Família Real e do Reitor.

Com o código de referência PT-AUC-UC-RCSP,  existe no Arquivo da Universidade de Coimbra uma série de 587 processos (1548-1824) formada  essencialmente  por  inquirições  de  genere, também  designadas  diligência de  genere ,  inquirição  de  pureza  de  sangue  (de  puritate sanguinis), informação de qualidade de geração, etc.)  com o objectivo dos opositores a becas do Real Colégio de S. Pedro fazerem prova de serem filhos e netos de cristãos-velhos.   Engloba ainda inquirições de vita et moribus  (de vida e costumes) para atestação de bom comportamento moral e civil por parte dos referidos candidatos a becas.
Embora esses processos não estejam disponíveis em linha,  existe um Índice do cartório, redigido em 1824 pelo colegial Miguel Gomes Soares. Catálogo de processos e Índice de opositores bem como informações mais completas sobre este assunto encontram-se nesta ligação.
Ficamos, assim, a conhecer mais um instrumento de pesquisa genealógica, que esperamos vir a ser útil.
 kwADCoimbra

4 de junho de 2015

4 de junho de 2015 por Paula Peixoto comentários
Tribunal simultaneamente régio e eclesiástico, inseria-se na política de centralização do poder. A sua criação e os seus membros estavam ligados à Igreja, mas todo o funcionamento era superiormente controlado pelo rei.
O Tribunal do Santo Ofício estendeu a sua acção a todo o país e a quase todos os territórios submetidos à Coroa portuguesa no longo período da sua existência (1536-1821).
As leis pombalinas, a que declarou abolida a distinção entre cristãos novos e cristãos velhos e a que equiparou o Santo Ofício aos outros tribunais régios, retirando a censura da sua alçada, fizeram o Santo Ofício perder a sua anterior vitalidade. O regime liberal deu o golpe final à Inquisição portuguesa: em 1821 as Cortes Gerais Constituintes decretaram a sua extinção.
Fonte ANTT



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE LISBOA

NATURALIDADE / DISTRITO ÍNDICE








NATURALIDADE / PAÍS ÍNDICE
AVEIRO Excel ÁFRICA/ÁSIA Excel
BEJA Excel BRASIL Excel
BRAGA Excel ESPANHA Excel
BRAGANÇA Excel OUTRAS NACIONALIDADES Excel
CASTELO BRANCO Excel

COIMBRA Excel ÍNDICE GERAL EXCEL
ÉVORA Excel Se detectou um erro no nome, naturalidade, ou outro, do(s) seu(s) familiare(s), p.f. informe-nos para que possa ser rectificado.
Comunicar Correcções aos índices
FARO Excel
GUARDA Excel
LEIRIA Excel
LISBOA Excel
PORTALEGRE Excel
PORTO Excel
SANTARÉM Excel
SETÚBAL Excel
VIANA DO CASTELO Excel
VILA REAL Excel
VISEU Excel
AÇORES Excel
MADEIRA Excel
SEM NATURALIDADE/INCOMPLETA Excel
kwADLisboa

1 de junho de 2015

1 de junho de 2015 por MC Barros comentários
Colecção de assentos encontrados "aqui e ali" e que, pela sua invulgaridade, linguagem, ou simples nota de humor - ou ainda por abrirem uma janela para as mentes do passado - achamos por bem reunir. Outros mais se seguirão, na melhor oportunidade. (Clicar nas imagens para aumentar).


Nº. 5


Aliviar a consciência - Passô, Moimenta da Beira, 9/3/1721

E no mesmo dia acima aos nove dias do mês de Março de mil e setecentos e vinte e um anos baptizei solenemente a Domingos filho de Isabel solteira (...) e deu por pai a Domingos Ferreira casado (...) e sendo como ele diz (...) foi feito sendo ele solteiro. Foram padrinhos o mesmo domingos Ferreira e Luísa filha de Inês Rodrigues viúva que ficou de Manuel de Paiva (...) e declaro mais neste assento que uma filha desta mesma Isabel solteira que está no livro que acabou a folhas cento e oito verso chamada Ventura tinha por pai a António solteiro filho de Manuel ... já defunto e de sua mulher Maria de Paiva me disse a dita Isabel solteira pusesse aqui por pai dela a Caetano solteiro filho de Manuel das Neves e de sua mulher Maria Rodrigues Neves porque era seu e não queria encarregar sua consciência e suposto o deu por pai no outro assento foi por ter dele outra filha e andar em demanda com ele e poder perder o seu direito a que tudo jurou aos santos evangelhos e foram testemunhas do referido Domingos Teixeira e ....da dita freguesia e por verdade fiz este assento com esta declaração que assinei dia mês e ano ut supra
-rec Manuela Alves

Pater ignoratur, ou talvez não - Olhão, 16/8/1759

Maria filha, cujus pater ignoratur, e de Maria Rosa escrava do Reverendo Prior desta igreja Doutor Sebastião de Sousa nasceo aos dezasseis dias do mes de Agosto de mil e sette centos e cincoenta e nove annos (...) sendo padrinhos o Reverendo Padre Frutuoso Rodrigues Pinto somente de que fis este termo que assignei dia era ut supra.
- rec Luís Tavares, B5 Olhão pag 42v


Certo é que... tinha mais de 200 anos - Olhão, 11/11/1816

Aos onze dias do mes de Novembro de mil oitocentos e dezasseis annos faleceu Diogo [rasurado] viuvo de Theresa de Jesus desta vila recebeo os Sacramentos da Igrª. Foi por mim encomendado e sepultado nesta Igrª sua Parochial. Consta me ser o homem mais antigo q havia neste vila disse q tinha cento e vinte annos. O certo he q o seu nascimento hé anterior da era de 1615 o q alcança o mais antigo livro de baptizados q tem esta Igrª e por ser perdido e primeiro livro, não pode exactam.te averiguar ... a sua idade. Havia treze annos q estava entrevado Quasi nunca se queichava nem gemia virava quasi continuam.te. Agradecia o q lhe davão, mas não falava do passado, nem do presente. De que fis este termo que assignei.
-rec Luís Tavares - Olhão . Lº Ob 1803/1818


Engeitada, mas não ignorada - Orada, 18/7/1679

Constou me que no lugar do Outeiro desta freguesia da Senhora da Orada nascera uma menina filha de Maria moça solteira filha de Francisco Lopes do dito lugar, e me constou que a tal menina depois de nascida havia cinco ou dez dias a foram pôr por engeitada sem ser baptizada nas portas do convento de Santa Clara da cidade de Coimbra e examinando este caso me veio uma certidão autêntica como a dita criança fora baptizada na igreja de S. Bartolomeu da dita cidade aos treze dias do mês de Julho da era de mil e seiscentos e setenta e nove anos pelo padre Manuel Gonçalves ... na dita igreja de licença do reverendo Prior e foi padrinho o Padre Manuel Ferraz e me constou pela dita certidão que a criança engeitada por nome Isabel fora levada de Santa Clara pelo Mister João Esteves tosador que ao tal tempo servia na mesa ... e se baptizou na dita igreja de S. Bartolomeu e por me constar de verdade fiz este assento hoje dezoito dias do mês de Julho de mil seiscentos e setenta e nove anos.

«Um assento curioso não só por provavelmente ser o único documento que revela informação sobre a família desta exposta como, caso raríssimo, demonstra a diligencia e preocupação de um cura em saber e registar o que sucedeu a uma menina nascida na sua paróquia e levada para ser deixada como enjeitada»
- rec Edmundo Vieira Simões


Engeitada em berço "dourado" - Santa Maria de Oliveira, Mesão Frio, 24/5/1696

Dona Francisca, enjeitada, filha de Pais nobres, e de limpo sangue, foi baptizada pelo seu Pároco aos vinte e quatro dias do mês de Maio de mil seiscentos e noventa e seis, e por sua via me foi mandada entregar para eu a mandar criar, e lhe fazer a solenidade do baptismo, tudo debaixo do segredo da Confissão, e à meia noite, estando bem escuro, batendo-me à janela da câmara em que eu dormia, ia com advertência deste negócio, lançando eu uma cesta com uma corda, sem eu ver, nem falar com pessoa alguma, a meteram na cesta, e puxando eu pela corda, trouxe a menina, e a lancei na cama até a entregar à Ama, e lhe fiz os Exorcismos em os treze de Agosto do mesmo ano, e se lhe dilataram porquanto quem ma recomendou queria vir assistir, e por resolver não convinha vir, lhos fiz assistindo a eles o Rev.do João de Carvalho Pereira e Domingos Martins, ambos desta freguesia. E para tudo poder assim constar fiz este assento." Ass. Francisco Gonçalves Cardoso, Abade; P.e João de Carvalho Pereira; D.os + Miz. 
Averbado à margem: "faleceu a 12 de Novembro de 1698; foi sepultada na Capela de Jesus Cruxificado junto da escada do púlpito, e foi a primeira pessoa que nela se sepultou.
- rec Rita VZ


Marido incógnito -  Infantas, Guimarães, 5/4/1634

Aos cinco de Abril do ano de mil seiscentos e trinta e sete se receberam nesta igreja conforme o rito do sagrado concelho tridentino, Isabel Gonçalves de S. Paio lugar desta freguesia com seu primeiro marido [ espaço ] foram testemunhas...
-rec MC Barros


Monsieur La Palice - Adaúfe, Braga, 1773/1865

- " Maria, rapariga do sexo feminino...";
- " Maria, criatura do sexo feminino...";
- " José António, rapaz do sexo masculino...";
- " José, infante do sexo masculino..."
- rec Eva Marques


Alcunhas - São Cristóvão de Ovar, 18/10/1887

(...) compareceram os nubentes Francisco de Oliveira e Maria de Jesus, a Careca e o Corcunda em mancebia (...)
- rec Ricardo M. Nunes‎


Casamento clandestino - S.Martinho de Mouros, Resende 16.5. 1758

Aos dezoito de Maio de 1758 estando eu a dizer Missa no altar Mor desta Igreja Colegiada de São Martinho dos Mouros deste Bispado de Lamego ouvi a voz de um homem que dizia está aqui alguma mulher que queira casar comigo? e logo respondeu uma mulher aqui está Ana Maria: ao que o dito homem respondeu: eu recebo a vós por minha mulher, e continuou com mais palavras que eu não percebi e a dita mulher lhe tornou a responder mas não percebi mais palavras do que as referidas mas sempre assentei que eram conforme marido e mulher que se foram a receber clandestinamente, e não percebi todas as palavras que disseram mutuamente mais do que as referidas porque apenas percebi ser matrimónio clandestino todo o cuidado apliquei a clamar por Manuel da Silva sacristão desta igreja, e pelo beneficiado Francisco Coelho que estavam na Sacristia para que acudissem a prendê-los o que não fizeram porque logo as ditas pessoas fugiram, e na Igreja se achava nessa ocasião só uma moça do lugar do ... chamada Leonor que diz não perceber as ditas palavras de forma que as possa juntar ele Sacristão e o dito Padre supra referidos também dizem não ouviram: que o dito homem que fez o dito clandestino se chama José Barbosa solteiro filho de Pantaleão Barbosa caseiro da quinta de Cardoso desta freguesia ao qual conheci muito bem naquele gesto e a dita mulher não conheci, e me disseram que era uma viúva da cidade do Porto: e que o dito José Barbosa me consta ter vencido para casamento por duas sentenças uma Marcelina Bernarda de Magalhães do lugar do Bairro de que fiz este assento para constar era ut supra.
-rec Manuela Alves, com transcrição por Madalena Campos - PT/AMDL/PRQ/RSD14/002/0003 Imagens 62 a 64

Se achou hum home morto - S. Mathias, Évora,  26 de Junho de 1730

Em os quinze dias do mês de Junho de mil e sete centos e trinta annos se achou hum home morto dentro do senteio da erdade da Albaneija já corrupto e em tal estado que se não poude conhecer nem se soube quem foi. Trazia hua vestia azul, e hums calsoens azuis e hum certú branco de pano fino, e hua camisa fina, e humas meias de saragoça quasi novas parecia beirão desses que trazem bestas carregadas de pano de linho; porque se lhe achou hum tinteiro na algibeira e junto delle huma vara de tanger bestas, e por estar em tal estado que estava meio comido da praga o mandei enterrar junto donde se achou morto por não haver quem pudesse chegar a elle com mao cheiro, e se lhe pôs huma cruz mataramno, e roubaramno, e só se lhe achou huma facada debaixo do sovaco esquerdo em cima do coração; e se algum dia se procurar fiz esse assento para por ele se tomar informação.
AD de Évora - Paróquia de São Matias, liv. 17, f. 86

22 de maio de 2015

22 de maio de 2015 por Unknown comentários
Tabela actualizada com os lugares das diversas freguesias, conforme Census 2011



Durante as pesquisas, deparamo-nos muitas vezes com freguesias das quais apenas conseguimos decifrar parte do nome, ou que vêm apenas referenciadas pelo orago. Para dar uma ajuda na identificação da freguesia quando isso acontece, elaborámos esta tabela em Excel com a lista das freguesias de Portugal Continental, Açores e Madeira, e respectivos oragos e lugares, estes últimos tal como constam das listagens do Census 2011 -- tenham pois em atenção que, com o passar dos anos, há lugares que desapareceram ou mudaram de nome.
Usando as ferramentas "Localizar", "Filtro" e "Filtros de Texto" é possível encontrar, por exemplo todas as freguesias com "monte" no nome, ou cujo orago é Santa Rita, ou que tenham um lugar do Ribeiro...
Esperamos que seja útil. Correcções e aditamentos são, como sempre, muito bem-vindos.
Imagem de: Centro Virtual Camões

21 de maio de 2015

21 de maio de 2015 por GenealogiaFB comentários
Não encontro muitas histórias bonitas (...) Mas esta é a nossa história 
e fico feliz por cada antepassado resgatado ao esquecimento.

Fotografia de Beth Moon

Por Vânia Viegas

Sempre gostei de História e das histórias que a minha avó paterna me contava sobre a sua infância. Uma infância, passada nos anos 30 do século passado, tão mas tão diferente da minha. Não compreendia porque é que a minha avó começou a trabalhar tão nova, o não ter brinquedos, não ter ido à escola e não saber sequer escrever o seu nome.
Acho que a culpa desta dedicação veio mesmo do bichinho que a minha avó me deu. 
Quando era miúda costumava perguntar aos meus avós os nomes dos avós deles, como era a infância, o nome dos irmãos e escrevia tudo em papéis.... infelizmente estes tinham vida curta e acabei por perdê-los, uma e outra vez.

Em 2009 dediquei-me a isto de alma e coração. Fiquei grávida e subitamente senti uma necessidade inexplicável de um dia poder explicar à minha filha de onde vínhamos. Uma necessidade de um dia lhe deixar o resultado do que encontrei, uma espécie de legado.
Voltei então à carga e falei novamente com a minha avó paterna e o meu avô materno para obter mais informação.
Daí para a frente uma pesquisa que começou por duas freguesias do barlavento algarvio, estendeu-se a muitas mais. Comecei a fazer a genealogia do meu marido e acrescentei imensas freguesias do Minho à área de pesquisa.
Hoje transformou-se num vício. Um puzzle que nunca terá fim mas em que procuro sempre as peças em falta.

Pedi ajuda à família algumas vezes, fotografias, informações e relatos. Já tive quem me dissesse que devia deixar os mortos descansar em paz, como se andasse a esgaravatar túmulos e desenterrar esqueletos.

Em cima, da esquerda para a direita, fotografia da ficha militar do meu bisavô. Foto de 1921.
Fotografia da minha bisavó paterna (mãe da minha avó). Sem data (anterior a 1954).
Em baixo, fotos do meu avô paterno, em 1936 (fotografia da caderneta militar) e em finais da década de 60.

É verdade. Não encontro muitas histórias bonitas. Na verdade, é bem o oposto. Na família as fotos mais antigas já são de 1930. Ninguém sabia ler e escrever. Existiu pobreza, existiu mortalidade infantil, viúvas, doenças, expostos, trabalhadores rurais. Não é bonito nem tenho fotos lindas da família reunida nos seus melhores trajes de sociedade burguesa de início do século XX. Mas esta é a nossa história e fico feliz por cada antepassado resgatado ao esquecimento.



por GenealogiaFB comentários
Pode cada um de nós dizer, com rigor, de onde é?
Seremos apenas de onde nascemos? 

Portugallia et Algarbia quae olim Lusitânia
Mapa de Fernando Álvaro Seco

Por José Luís Espada Feio

Pode cada um de nós dizer, com rigor, de onde é? Seremos apenas de onde nascemos, muitas vezes fruto de um mero acaso ou de uma circunstância? Ou pertencemos também, e sobretudo, ao chão onde nasceram e viveram os nossos antepassados ao longo dos séculos e no qual deixaram a sua marca indelével?

Assim, serei só da Lisboa onde vim ao mundo ou também da Terra de Santa Maria onde no século XIII nasceu o primeiro dos meus antepassados Pimentéis? Ou de Bragança para onde foram na centúria seguinte? Ou da vila de Aldegalega de Riba Tejo onde 300 anos depois se fixaram os descendentes desse tal Martim Fernandes Pimentel?
Serei também de Évora, onde em 1713 nasceu o meu sexto avô Vicente Ferreira Godinho? e de Grândola, onde há 107 anos nasceu o meu avô paterno José Espada Feio? Ou de Cuba, de onde era natural o seu tetravô Bento de São Francisco Feyo? Ou de Alvito, onde nasceu o avô deste último no século XVII?

Serei igualmente de Sesimbra, onde em 1915 nasceu a minha avó paterna e antes dela todos os ascendentes de sua mãe por via materna até ao século XV? E de Lagos, de onde era natural seu avô Agostinho da Glória?
E de Melides, e de Azinheira dos Barros, e de Santa Margarida da Serra, e de São Francisco da Serra, e da Abela, e de Alcáçovas, e de Evoramonte, e de Machede, e de Cabeço de Vide, e de São Bento do Mato, e de Vera Cruz, e da Vidigueira, e de Vila de Frades, e de Alcácer do Sal, e de São Romão do Sado, e de Oiã, e de Meda de Mouros, e de Coja, e de Valezim, e de Vila Nova do Ceira, e de A-dos-Cunhados, e da Ameixilhoeira Grande, e de Carnide de Baixo, e da Golegã, e de Vila Nova da Barquinha, e de Santarém, e de Benavente, e de Benfica do Ribatejo, e de Glória do Ribatejo, e de Almeirim, e de Muge, e de Alpiarça, e de Salvaterra de Magos, e de Silves, e de Alvor, onde nasceram tantos outros meus avós ao longo de seis séculos?


Uma coisa é certa, dos milhares de antepassados que já localizei nenhum deles nasceu fora deste rectângulo à beira-mar plantado nos confins meridionais da Europa. Assim, pois, a minha terra é inequivocamente este Portugal todo, de norte a sul, das serras e das planícies, das aldeias e das cidades, do interior profundo ao litoral aberto ao grande oceano.

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