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17 de setembro de 2015

17 de setembro de 2015 por MC Barros comentários
As visitas pastorais enquadravam-se num sistema criado para, de acordo com as exigências tridentinas, vigiar e corrigir, a diferentes níveis, o comportamento das populações. Eram, portanto, um mecanismo de fiscalização periódica utilizado pelos bispos para avaliar o estado das paróquias da sua área de jurisdição.  

Jules Breton - Plantation d'un calvaire, 1858, Palais des beaux-arts de Lille, Lille

De acordo com o Direito da igreja,  ao tríptico da falta - pecado oculto, pecado público e heresia - correspondia um mecanismo de intervenção articulado em três vertentes: a confissão, o elemento disciplinar da visita pastoral e a inquisição.

No pecado oculto, ou seja, a falta que ocorria na esfera privada e, portanto, longe dos olhos da comunidade, apenas intervinha o fiel e o sacerdote (confissão e penitência). Já no pecado público e heresia, aqueles que mais preocupavam a igreja, a intervenção ficava a cargo do visitador, uma vez que, sendo do conhecimento geral, representavam uma ameaça para toda a comunidade.

A sua acção não se limitava à vistoria dos livros, porventura o facto que nos é mais visível já que, a cada passo, nos deparamos com a assinatura dos visitadores nos livros paroquiais, por vezes acompanhada de uma reprimenda dirigida ao pároco. Para além de investigar  aspectos como a conservação da igreja e alfaias litúrgicas, a visita pastoral indagava sobre os pecados públicos, perpetrados quer por fiéis, quer por laicos através da denúncia dos seus vizinhos, e fazia executar penas não só espirituais, mas também temporais, mesmo sobre leigos, podendo, para tal, recorrer à ajuda do “braço secular”. Para além disto, as devassas que resultavam do processo visitacional assumiam um valor jurídico, podendo desencadear um processo judicial no auditório eclesiástico.

Advertência do visitador ao pároco de Veiga de Lila :
«V.o em Vis.ão de 13 de Maio de 1799 
Este livro é um testemunho da "esbalhice" do R. Par.º,  o pouco que cuida no desempenho das suas obrigações. 
Já deixar só folhas em br.co como a 4 aonde aceitei  de estar em br.co; ainda este foi rubricado há 2 anos,  e já está mais sujo do que os findos na Ig.ja de  seus viz.os. Pelo que mando com as penas da (conta?)  que este e todos os mais se conservem em um gavetão  ou armário, que para isso se faça na Sacristia, e dela  não seja tirado em tempo algum.» 
A fls. 11 do Livro 1 de Baptizados de Veiga de Lila

Antes de se deslocar, o visitador deveria avisar os párocos do dia da sua visita, ordenando-lhes que no primeiro domingo ou dia santo, à estação da missa, lessem o edital da visitação e advertissem os seus fregueses que, assim que ouvissem repicar os sinos, fossem para a igreja. Os párocos deveriam, igualmente, admoestar os seus fregueses para que denunciassem os pecados dos quais tivessem conhecimento.

No edital constavam os pecados públicos, assim como, em casos especiais, outros delitos que deveriam ser denunciados durante a inspecção, contemplando, sobretudo, comportamentos sexuais desviantes, delitos morais, comportamentos heréticos e supersticiosos, assim como, diversas transgressões à lei natural e aos preceitos da Igreja, nomeadamente, o desrespeito pelas obrigações ligadas ao culto.

Para prova do rigor disciplinar, basta ler alguns artigos sobre a matéria do foro comportamental que se encontram nas Constituições Sinodais de 1637. Há alguns artigos com teor completo e outros incompletos.

II. Se há algua pesoa que fizese, ou guardase algua cerimonia judaica ou da feita dos mouros, ou qualquer outros  infieis (...);
III. Se há algua pesoa que por algua via tinha pacto com o demonio ou que o invoque ou que use da arte magica ou de encantamentos, ou de esconjuros, agouros ou sortes para adivinhar, ou que seja feiticeiro ou bruxa, ou que faça fumadouros, ou quaes quer superstições para ligar ou desligar ou para qualquer outro effeito ou mesinhas ou beberagens para algua mulher mover ou naó conceber (...);
IV. Se há algum benzedeiro ou benzedeira de gente, ou de gado, ou que diga que corta braço ou que cure de olhado, ou lance nominas, faça outras superstiçoes para curar de feridas ou de outros males (...); (…)
XI. Se há alguas pesoas que tenhaó illicita conversaçaó e incestuosa com parentes seus ou por consanguinidade, ou por afinidade dentro no quarto grau (...);
XII. Se há alguas pesoas que vivaó como casados, sem serem recebidos em face da igreja ou depois de o serem com nossa licença, vivaó da sobredita maneira antes de se correrem os banhos, e de receberem as bençoens na igreja: ou se há alguns casados que estejam apartados sem autoridade da igreja ou que naó façaó vida marital: ou alguns homens que dem má vida a suas mulheres;
XIII. Se há algua pesoa solteira, casada, ou viuva que tenha algua conversaçaó escandalosa ou que alcovitase ou desse alcouce em sua casa;
XIV. Se há algua pesoa que seja culposa em o pecado nefando, ou infamada delle (...);
XV. Se há alguas pesoas q. estejaó em odio, ou se deixem de fallar de falla publica e sensaçaó christaa;
XVI. Se há algua pessoa que dè tabolagem de jogo em sua casa, de cartas, dados ou de jogos prohibidos e que leve  por isso algum preço; (…)
XIX. E finalmente se há algua pesoa que persevere com escandalo em algum pecado mortal, de que naó queira emmendar- se.

Terminada a fase da devassa e registados, pelo escrivão, todos os depoimentos, o visitador teria agora de sentenciar os culpados (a denominada “pronúncia”).

Ao seu dispor, o visitador tinha todo um conjunto de sanções de natureza espiritual e temporal, que aplicaria consoante a gravidade do delito e o número de reincidências. Nos casos em que o delito era considerado ligeiro e havia confissão, os pecadores apenas pagavam uma multa. Nos delitos graves, os acusados poderiam ser alvo de penas como a de prisão ou de degredo por maior ou menor período de tempo. Se os sentenciados reconhecessem a sua falta, assinariam um termo de culpabilidade, caso contrário, podiam interpor um recurso para o tribunal eclesiástico declarando-se inocentes.

O sacrosanto, e ecumenico Concilio de Trento em latim e portuguez, Tomo I

Após um preâmbulo semelhante ao do livro dos capítulos, com as necessárias alterações em função da sua especificidade, os livros de devassas apresentam os depoimentos das testemunhas interrogadas, antecedidos pela indicação do seu nome, idade, lugar de residência, assim como, por vezes, a profissão e o seu estado civil. Caso a testemunha não denunciasse qualquer pecado apenas se acrescentaria a expressão “não disse nada”. Ao denunciante, no final da sua inquirição, era-lhe perguntado sobre o grau de parentesco ou relações de convivência com as pessoas que acabara de denunciar. Terminado o inquérito, o delator – mesmo que só o fizesse colocando uma cruz – e o visitador assinavam o depoimento.

Percebe-se, por aqui, a importância dos livros de devassa para a investigação genealógica. Infelizmente, na maioria das dioceses do território continental perdeu-se a quase totalidade dos documentos. Com excepção das dioceses de Braga, Coimbra e Lisboa, onde os fundos existentes actualmente conservam uma parte substancial da documentação originalmente produzida, em todas as outras dioceses a situação é desastrosa. De facto, a documentação sobre visitas pastorais relativa às dioceses de Miranda, Lamego, Viseu, Leiria, Portalegre, Elvas, Évora e Faro perdeu-se quase integralmente. Restam apenas alguns raros exemplares de livros de "devassas" e de “termos” nas dioceses de Miranda, Viseu, Portalegre e Faro e para estas e todas as outras um conjunto variado de livros de "capítulos". Em relação a esta serie é ainda possível que alguns exemplares se encontrem dispersos pelos actuais arquivos paroquiais, local onde eram originalmente conservados. Note-se que nalguns casos a documentação se encontra dispersa por variadas instituições (em Viseu, por exemplo, há documentos no museu Grão Vasco, no Arquivo Distrital e no actual arquivo do cabido de Viseu).

Para a diocese de Braga, podem consultar no Arquivo Distrital de Braga a série Termos das Visitas e Devassas. A documentação existente não se encontra disponível para consulta online. No caso da que está depositada no Arquivo Distrital de Braga, existe um inventário das Visitas e Devassas (pdf).

Através de dissertações e teses, e outros trabalhos de investigadores, podemos aprender mais sobre esta temática e, inclusive, ver alguns exemplos do tipo de pecados públicos denunciados nas visitas. Segue-se uma lista de documentos deste tipo que julgamos ser de interesse para quem desejar aprofundar este tema.

1 - Visitas Pastorais ao Concelho da Lourinhã no séc. XVII (pdf) - Maria dos Anjos dos Santos Fernandes Luís
2 - Crime e Castigo: "Pecados Públicos" e Disciplinamento Social na Diocese e Viseu (1684-1689) (pdf) - João Rocha Nunes
3 - As Visitas Pastorais na Diocese do Porto (1675-1800) (pdf) - Lisbeth Marilim Santos da Silva
4 - Os Livros das Visitas Pastorais da Região Portuense (pdf) - Eugénio dos Santos
5 - Devassas: Uma Análise Das Denúncias Contra As "Mal Procedidas" (Prostituição, Concubinato e Vivência Religiosa nas Minas Gerais do Séc. XVIII   (Google Books)- Lisa Baptista de Oliveira
6 - Uma Instrucção aos Visitadores do Bispado de Coimbra (Séc. XVII?) (pdf)- José Pedro Paiva
7 - Freguesia e Paróquia de Gondifelos (Word) - A. Martins Vieira, Boletim Cultural << III série • nº2  CM V.N De Famalicão, pp. 38-39
8 - Inquisição e Visitas Pastorais, dois mecanismos complementares de controle social? (pdf) - José Pedro de Matos silva
9 - Sob os Auspícios do Concílio de Trento: Pombal entre a Prevaricação e o Disciplinamento (1564-1822) (pdf) - Ricardo Jorge Carvalho Pessa de Oliveira

Fontes:

14 de setembro de 2015

14 de setembro de 2015 por MC Barros comentários
Recolher informações de arquivos 

A pesquisa online, para além de ser mais confortável e não ter horário (está sempre acessível), tem também a vantagem de permitir o download dos registos para juntarmos à nossa árvore. Há, no entanto, ainda muito trabalho a ser feito nessa área pelos arquivos. Irá encontrar frequentemente registos paroquiais que não se encontram ainda disponíveis na Internet. Nesse caso terá de se dirigir ao arquivo onde esses registos estão depositados. Antes de o fazer, leia as regras de consulta de documentos, do arquivo ao qual pretende dirigir-se, no respectivo site online.

Regra geral, não é permitido o uso de telemóveis ou máquinas fotográficas nas salas de consulta, pelo que terá de solicitar, e pagar, fotocópias dos registos que lhe interessarem, caso deseje uma cópia. Isto, dependendo da quantidade de registos que encontra, pode tornar-se dispendioso. Por esse motivo, é mais prático copiar as informações para um caderno, não se esquecendo de anotar a fonte.

Fontes

Como é comum dizer-se entre genealogistas, a Genealogia sem fontes é mitologia. Documente tudo com as respectivas fontes pois só assim o seu trabalho será credível.

A descrição da fonte deve incluir, no mínimo, os seguintes elementos:
- Título: o nome pelo qual é conhecida documentação, ou obra consultada
- Autor
- Repositório: o local onde se encontra a documentação (Ex: Arquivo Distrital do Porto)
- Referência ou cota da obra no arquivo
- N.º das folhas, ou páginas, onde pode ser encontrada a informação.

Pode ler mais sobre fontes em Referências às fontes em programas de Genealogia..

Bases de dados

Depois de iniciarmos a nossa pesquisa genealógica, rapidamente nos vemos confrontados com uma quantidade crescente de dados. Os avós vão duplicando de geração em geração e frequentemente, sobretudo quanto mais se recua, dada a escassez de informações para essas épocas, é necessário seguir também os colaterais pois os seus baptismos, casamentos e óbitos podem conter informações que ajudam a completar a dos nossos antepassados directos.

Por esse motivo, há que pensar em formas de organizar os dados que vamos recolhendo. Existem ferramentas que permitem fazê-lo, algumas grátis em versões mais simples, outras é necessário comprar. Uma das mais populares, mas também mais simples, é o MyHeritage Family Tree Builder, que possuí uma versão grátis, fácil de usar, mas existem outras, como o Legacy, também bastante utilizado, com a vantagem de ter uma boa tradução em português, ou o My Family Tree. Há ainda software Open Source, como o Gramps. A escolha da ferramenta depende muito do utilizador, mas todas elas permitem a exportação e importação da base de dados (formato GEDCOM), pelo que não é difícil mudar de programa se encontrar outro de que goste mais.

Introdução de dados no Legacy (clique na imagem para aumentar)

Vista da árvore de costados no Legacy

Entre os diversos programas existentes, grátis ou não, aqui fica uma lista daqueles que são utilizados pelos membros do grupo do Facebook GenealogiaFB que responderam a um inquérito realizado em 6/8/2015, por ordem de popularidade. Podem obter informações sobre cada um destes programas através de uma pesquisa no Google.

MyHeritage Tree Builder
MyHeritage Online
Legacy 
PAF 
FamilySearch 
Gramps 
MS Office (Excel, Access, Word, etc.) 
RootsMagic
Ancestry
TMG
My Family Tree
Family Tree Maker
MacFamilyTree
Brother's Keeper
Webtrees
GeneWeb
Family Historian
The Complete Genealogy Builder
Cumberland Family Tree
AutoCAD
TribalPages
GenoPro 

Precauções a ter com os serviços online

Se optar por utilizar um serviço online para construir a sua árvore, tenha em conta que a informação que partilha nesse serviço poderá já não ser apenas sua propriedade. Alguns serviços online utilizam os dados e imagens, lá colocados pelos utilizadores, para atrair outros potenciais clientes, tornando-os, ou parte deles, públicos na web, ficando assim acessíveis a qualquer pessoa através dos motores de pesquisa. Podem, inclusive, vender parte desses dados a parceiros. 

Tenha também em atenção que, no caso de serviços online grátis, poderá existir um limite para o número de pessoas que pode introduzir na árvore. Atingido esse limite, terá de pagar para continuar a utilizar o serviço.

A fim de evitar surpresas desagradáveis, leia bem os Termos de Uso do serviço online. 

Algumas recomendações para a utilização de serviços online:

- Certifique-se de que pode tornar toda a sua árvore privada, ou seja, não acessível a pessoas que não possuam uma senha de acesso, ou que não tenham sido convidadas para a sua árvore.

- Não promova ninguém a administrador da sua árvore, a menos que tenha absoluta confiança nessa pessoa.

- Embora os serviços online não disponibilizem publicamente dados relativos a pessoas vivas, não inclua endereços completos, números de telefone, ou outros dados que permitam a localização das pessoas, ou sejam susceptíveis de violar a sua privacidade. A mesma regra se deve aplicar para as pessoas falecidas, no mínimo, há menos de 100 anos. 

- Os serviços online também permitem a importação e exportação dos dados. Utilize a exportação de dados para ficheiro GEDCOM frequentemente. Ficará assim com uma cópia de segurança, sempre actualizada, no seu computador. Esse ficheiro poderá ser usado para importar os dados para outros programas de genealogia.

- Se desejar proteger também as fotografias que partilha, pode adicionar uma marca de água a cópias das mesmas. Existem aplicações que permitem fazê-lo em série, algumas grátis. As marcas de água não impedem a manipulação das fotos por terceiros, mas dificultam, o que, normalmente, desincentiva a cópia e reutilização.

- Não assuma que os dados de outras árvores online estão correctos. Faça a sua própria pesquisa e certifique-se de que está bem documentada. Há milhares de árvores online que se estendem até aos primórdios da Idade Média - algumas até ao bíblico Adão - que carecem de qualquer fundamento científico. Desconfie também dos nobiliários pois é frequente encontrarem-se erros. 

- Use o seu bom senso. Assim como não gostará que o seu trabalho e esforço sejam plagiados por terceiros, outros também não gostarão se o fizer. Seja cortês, contacte as pessoas e peça autorização para utilizar os seus trabalhos, não esquecendo de lhes atribuir o devido mérito nas suas próprias publicações. Partilhe com elas outros dados que possua e que lhes possam interessar. A comunicação entre genealogistas, amadores ou profissionais, é essencial. É através dela que chegamos frequentemente a dados que, de outro modo, permaneceriam obscuros.


Veja também:
Dicas para Principiantes

Originalmente publicado em 28/7/2014

12 de setembro de 2015

12 de setembro de 2015 por MC Barros comentários
Lista das Paróquias do Bispado de Lamego por Nome, Orago e Arciprestado, ordenado pelos Arciprestados que correspondem aos Concelhos.
Aos do norte do Distrito de Viseu há que somar Mêda e Foz Coa, da Guarda.

Autor: Victor Ferreira, Fórum Geneall 19.9.2006

Documento Word

kwADViseu

27 de agosto de 2015

27 de agosto de 2015 por Paula Peixoto comentários
A chancelaria régia era a repartição responsável pela redacção, validação (mediante a aposição do selo régio) e expedição de todos os actos escritos da autoria do próprio Rei. Os serviços da chancelaria régia podiam também reconhecer e conferir carácter público a documentos particulares que lhe fossem submetidos para validação.



CHANCELARIA RÉGIA DE D. AFONSO VI (1658-1684)
Livro de Registo de Perdões e Legitimações Índice

ÂMBITO E CONTEÚDO:
Na chancelaria medieval portuguesa o termo registo reporta-se aos livros ou rolos onde se registava um cadastro ou tombo de propriedades, uma relação de instituições, pessoas ou povoações obrigadas para com o rei em tributos ou serviços, um inventário das instituições eclesiásticas em que o rei detinha o direito de padroado, os registos das inquirições ordenadas pelo rei, e os registos de chancelaria propriamente ditos, em que se verifica sincronicidade entre a expedição de um diploma e o respectivo registo. A imprecisão que se verifica na Idade Média quanto ao conteúdo de um registo de chancelaria cessa por completo no final dessa época e, a partir dos séculos XV e XVI, já se reporta apenas aos registos de diplomas que eram feitos em simultâneo à sua expedição. Nem todas as cartas que passavam pela Chancelaria eram aí registadas, especificando o segundo Regimento da Chancelaria-Mor - em texto que iria passar quase directamente para as ordenações Filipinas (Liv. I, Tit. 19, do escrivão da chancelaria do Reino - no Titulo da casa do registro e ordem "que se nisso há-de ter, que cada hum dos ditos quatro escrivães terá três livros em papel de marca maior encadernados em couro hum para nele se registarem as cartas de doações Padrões officios afforamentos e mercês o outro para cartas de perdões e legitimações e outro para cartas de priuilegios e de aprezentações de igreias e outras místicas, os quais livros serão assinados e numerados pello Chanceller mór"
In ANTT
kwADLisboa

1 de agosto de 2015

1 de agosto de 2015 por Manuela Alves comentários
Os móveis e as roupas
Os móveis da casa eram escassos.
O estrado constituía uma peça comum, a zona de estar, nos paços ou nas casas remediadas. sobre os estrados, as esteiras e as almofadas onde pousavam ou se reclinavam os corpos, as mãos das mulheres na dança das agulhas ou do bordado. Nas paredes ricas, penduravam-se guadramecins no Verão, alcatifas no Inverno. E em quase todas as casas, painéis figuravam Cristo, Nossa Senhora ou os santos.

30 de julho de 2015

30 de julho de 2015 por Manuela Alves comentários
Neste conjunto encontram-se processos  a pessoas acusadas  de diversos crimes de blasfémia,  de heresia, em todas as suas versões, de feitiçaria, de bigamia, de sodomia e suspeitos de ideais maçónicos. Mas apesar da sua variedade, em termos numéricos ficam muito aquém dos processos movidos aos acusados de judaísmo.


Com as leis pombalinas, a Inquisição viu sair da sua alçada as funções de censura  e foi equiparada aos outros tribunais régios O regime liberal deu~lhe a machadada final quando as Cortes Constituintes , em 1821,  decretaram a sua extinção.



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE ÉVORA - OUTROS PROCESSOS

DISTRITODISTRITODISTRITO
BEJACASTELO BRANCOÉVORA
FAROGUARDALEIRIA
PORTALEGREOUTROS DISTRITOSAÇORES-IMPÉRIO
OUTROS PAÍSESNÃO IDENTIFICADOSLISTA GERAL
kwADÉvora
por Manuela Alves comentários
Com a indexação dos processos do Tribunal do Santo Ofício de Évora, conclui-se este conjunto de instrumentos de investigação genealógica centrados na investigação das raízes cristãs-novas, por parte daqueles que procuram conhecer melhor os seus antepassados.  
No blogue e nas mensagens dedicadas a esta problemática encontram bibliografia acessível on line que permitem contextualizar as informações veiculadas, bem como auxiliar a leitura e interpretação dos processos.


A tabela dos processos segue o mesmo modelo da tabela de Inquisição de Lisboa, com as diferenças inerentes às disparidade das descrições arquivísticas, bastantes vezes a exigir uma revisão da leitura documental de forma a corrigir erros, mas que não foi possível na falta de digitalizações.
Finalmente, e a jeito de conclusão: melhor poderia talvez ter sido feito com mais tempo, mas preferimos  concluir o tema, deixando material de trabalho para os tempos livres de férias e mais disponibilidade de tempo para as nossas próprias investigações genealógicas.

Os restantes processos que não envolvem cristãos-novos foram publicados num post separado.




PROCESSOS INQUISIÇÃO DE ÉVORA - CRISTÃOS-NOVOS

DISTRITODISTRITODISTRITO
Lista GeralLista XNOVOSNão Identificados
BejaBragançaCastelo Branco
ÉvoraFaroGuarda
LisboaPortalegreSantarém
SetúbalOutros DistritosOutras Origens
kwADÉvora

20 de julho de 2015

20 de julho de 2015 por MC Barros comentários

Aviso (17-10-2016): a versão 9030808 do iMacros, lançada em Agosto de 2016, contém diversos problemas que poderão impedir as macros de funcionar correctamente. Caso uma ou mais macros deixem de funcionar depois de actualizar o iMacros para esta versão, a solução é reverter para a versão anterior. Podem instalar versões anteriores a partir da página de extras do Firefox.


Como é do conhecimento geral, os livros paroquiais estão frequentemente inacessíveis devido a problemas técnicos nos servidores dos arquivos, sobretudo nos horários em que é possível à maioria das pessoas dedicarem algumas horas às suas pesquisas. As macros são, por isso, uma ajuda preciosa, no entanto apenas permitem o download de um livro de cada vez.


Não seria óptimo poder fazer o download de vários livros seguidos, para ler fora do horário de trabalho, ou durante o fim-de-semana, altura em que os arquivos têm mais tendência para falhar?
A partir de uma macro que o Luís Salreta nos enviou, e a quem agradecemos, desenvolvemos duas mini aplicações para esse efeito, uma para o sistema Digitarq e outra para o Archeevo. Para a nova versão do Archeevo, usada por alguns arquivos, incluímos um script separado que também funciona no Archeevo antigo.

Digitarq 
e Archeevo Antigo
Archeevo Antigo e Novo


As instruções são idênticas às das outras macros:
1- Descarregar o ficheiro zip
2- Extrair o conteúdo para a pasta onde guardam as macros do iMacros (normalmente será na pasta Documentos\iMacros\Macros).
Como se tratam de scripts java (JavaScript ou JScript) os ficheiros têm extensão js, e aparecerão junto com as outras macros na janela iMacros do Firefox.



Antes da execução


Para utilizar o JScript é essencial que o 1º e último livro a descarregar tenham uma numeração consecutiva. 

Para verificar a numeração dos livros:

1 - Abrir a página do arquivo que contém a listagem dos livros
     Exemplo: http://pesquisa.adporto.pt/details?id=538848

2 - Verificar se os livros que desejam copiar têm um número de ID consecutivo
  • Dica: para obter o número de ID de cada livro, coloque o rato sobre a descrição do livro e verá aparecer na parte inferior do browser o link para esse livro, que termina sempre em id=xxxx.


Neste exemplo a numeração é consecutiva até ao livro 8. Neste caso iremos fazer o download dos primeiros 8 livros e só depois os restantes.

Execução


1 - abra o 1º livro a descarregar, para visualizar as imagens (tem de abrir o livro e não apenas a página de descrição do mesmo)

2 - Selecione a macro correspondente ao sistema usado pelo arquivo (Digitarq ou Archeevo) e clique no botão "Usar"

2 - Ser-lhe-á pedido o directório onde deseja guardar as imagens. Pode aceitar a sugestão ou teclar o caminho para outro directório. Independentemente do directório escolhido, o JScript criará sempre dentro dele uma pasta para cada livro descarregado. O nome da pasta será a refª do livro no arquivo. Clique OK para continuar.
Dica: como obter o caminho de um directório
a - Abra o Explorador do Windows
b - Navegue até à pasta onde quer guardar os livros
c - Clique com o botão direito do rato na caixa superior do Explorer e, de seguida em "Copiar endereço".



d - Cole esse endereço na caixa de diálogo do JScript.


3 - Introduza a URL do 1ª livro a copiar
  • Dica: pode copiar o link da barra de endereços e colar na caixa de diálogo


4 - Introduza a URL do último livro da sequência (pode voltar a colar o link que copiou da barra de endereços e mudar o id para o número do último livro). Clique OK.
A execução inicia-se e poderá acompanhar o progresso através da caixa de feedback do iMacros.



Para utilizadores mais experientes, o JScript incluí algumas opções avançadas que podem ser editadas directamente no JScript.


18 de julho de 2015

18 de julho de 2015 por MC Barros comentários
Ao longo da nossa pesquisa em Genealogia vamos recolhendo e acumulando um número cada vez maior de imagens digitalizadas, sejam fotografias, prints de documentos, mapas, recortes de imprensa, ou outros.  Tentamos incluir a informação mais relevante no nome do ficheiro, mas, como nem tudo cabe no nome da imagem, é frequente surgirem dificuldades com a identificação completa das imagens.

Neste tutorial explica-se a forma como pode ser feita a identificação de imagens, para que se possa rapidamente saber a que se refere, quem nela aparece, datas, refª de arquivo, etc., facilitando, simultâneamente, a pesquisa das mesmas.



Propriedades das imagens

Todas as imagens incluem uma série de propriedades que podem ser visualizadas e, algumas delas, editadas. Estas propriedades são gravadas com a própria imagem o que significa que, ao copiar, transferir ou enviar uma imagem a alguém, elas vão incluídas.

Para aceder às propriedades apenas é necessário clicar com o botão direito do rato sobre uma imagem e, de seguida, no separador Detalhes.



Ao colocar o ponteiro do rato sobre a coluna Valor, à frente de cada descrição, surgirá uma caixa de edição para todas as propriedades passíveis de serem alteradas. Nessa caixa podemos teclar o nosso próprio texto.

Título é usado por vários programas para legendar as imagens.

Assunto poderá ser aproveitado para adicionar uma descrição geral do tipo de imagem, ou seja, temas em que queremos dividir as imagens (Assentos, Fotos, Mapas, etc). Neste caso, como se tratam de imagens incluídas em trabalhos de Genealogia, optou-se por Genealogia-IMG-Fotos

Etiquetas: permite adicionar várias, separadas por um ponto e vírgula.

Comentários: um campo óptimo para listar os nomes das pessoas que aparecem nas fotografias uma vez que  permite adicionar um pequeno texto.

No caso de a imagem ser um documento, as propriedades são também muito úteis. Informações relativas à data, intervenientes, referência do arquivo, nome do arquivo, etc., podem ser incluídas na própria imagem através das suas propriedades. Em Origem podemos adicionar o nome da entidade que possuí o original da imagem, assim como a data. Autores poderá ser a paróquia. Cada um aproveitará este recurso da forma que melhor lhe convier.



Algumas propriedades podem ser editadas directamente na pasta onde se encontram, como é o caso das etiquetas.



Pesquisar através das propriedades

Na caixa de pesquisa, dentro de qualquer pasta, teclar o nome da propriedade seguida de dois pontos (:) e do texto a procurar (não é necessário teclar o texto completo). Serão listadas todas as imagens existentes no computador cujas propriedades incluam o texto inserido. Se a propriedade tiver mais do que uma palavra deverá ser teclada sem espaços (tiradaem: em vez de tirada em:). Por outro lado, para procurar uma frase, como um nome, deve-se incluir o nome entre aspas.



Exemplo: se foram adicionadas referências de livros nas etiquetas, para encontrar todas as imagens desse livro existentes no computador, teclamos etiquetas:PT/AMAP/PRQ/PGMR72/1590/P-886

É também possível combinar vários termos de pesquisa. Por exemplo:
assunto:Assentos etiquetas:"João Marques"

Algumas propriedades
assunto:
etiquetas:
título:
autores:
tiradaem: (apenas funciona para datas posteriores a 1899)
copyright:
comentários:

Mais informação nas páginas da Microsoft, em Mudar as propriedades de um ficheiro.

10 de julho de 2015

10 de julho de 2015 por Manuela Alves comentários
Depois da publicação dos índices de todos os processos do Tribunal da Inquisição de Lisboa pela Paula, é altura de dar seguimento à busca das raízes cristãs- novas  através dos processos do Tribunal da Inquisição de Lisboa relacionados com cristãos-novos, que se encontram todos digitalizados. 
Recomenda-se vivamente a leitura do primeiro post desta série Em busca das raízes cristãs-novas I.


A coluna do Excel intitulada Distrito é referente aos Distritos actuais das localidades mencionadas na naturalidade e, na sua falta, na morada destinada à localização dos Arquivos onde poderão ser procuradas informações genealógicas complementares.




PROCESSOS INQUISIÇÃO DE LISBOA - CRISTÃOS-NOVOS

DISTRITODISTRITOREGIÃO
AveiroLeiriaAçores
BejaLisboaMadeira
BragaPortalegreÁfrica-Ásia
BragançaPortoBrasil
Castelo BrancoSantarémEspanha
CoimbraSetúbalOutras Nações
ÉvoraViana CasteloNão Identificados
FaroVila Real
GuardaViseuLISTA GERAL
kwADLisboa
por Manuela Alves comentários
Como o nosso propósito inicial, ao indexar os processos da Inquisição de Coimbra,  era proporcionar um instrumento de investigação das raízes cristãs-novas dos nossos antepassados, deixamos de parte os outros processos em que os acusados não eram declarados como sendo cristãos-novos, total  ou parcialmente.
São todos esses outros processos da Inquisição de Coimbra que aqui se indexam, com a referência possível aos Distritos/Concelhos como se encontram agrupados nos Arquivos Distritais ou similares. de forma a permitir a sua ligação com outros tipos de fontes.



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE COIMBRA (Outros Processos)

DISTRITO
DISTRITO
Aveiro Porto
Braga Viana Castelo
Bragança Vila Real
Castelo Branco Viseu
Coimbra Outros Distritos
Guarda Ultramar
Leiria Outros Países
Portalegre Não Identificados
Lista Geral
kwADCOIMBRA

28 de junho de 2015

28 de junho de 2015 por Paula Peixoto comentários
Índice de solicitações de passaportes,do ADB, cujo os processos se encontram online para consulta no Family Search em: http://goo.gl/5iKezN

Passaporte familiar, 1945

ANO ÍNDICE ÚLTIMA ACTUALIZAÇÂO
1890
ExcelNovembro 2014
1891
ExcelNovembro 2014
1892
ExcelNovembro 2014
1893
ExcelNovembro 2014
1894
ExcelNovembro 2014
1895
ExcelNovembro 2014
1896
ExcelNovembro 2014
1897
ExcelNovembro 2014
1898
ExcelNovembro 2014
1899
ExcelNovembro 2014
1900
ExcelNovembro 2014
1901
ExcelNovembro 2014
1902
ExcelNovembro 2014
1903
ExcelNovembro 2014
1904
ExcelNovembro 2014
1905
ExcelNovembro 2014
1906
Novembro 2014
1907
21.11.2014
1908
29.11.2014
1909
01.01.2015
1910
15.06.2015
1911
28.06.2015


originalmente publicado em 15/9/2014
kwADBraga

7 de junho de 2015

7 de junho de 2015 por Manuela Alves comentários
 Entre os 22 colégios universitários existentes em Coimbra até 1834, contava-se o Real Colégio de São Pedro, criado em 1545 pelo canonista Rui Lopes de Carvalho, e instalado desde 1572 junto ao Paço da Alcáçova, na Alta da cidade. O Colégio foi extinto em 1834, mas ao contrário do que aconteceu com outros, a sua biblioteca, com espécies dos séculos XVI a XIX, conservou-se intacta por ter sido afecta ao uso da Família Real e do Reitor.

Com o código de referência PT-AUC-UC-RCSP,  existe no Arquivo da Universidade de Coimbra uma série de 587 processos (1548-1824) formada  essencialmente  por  inquirições  de  genere, também  designadas  diligência de  genere ,  inquirição  de  pureza  de  sangue  (de  puritate sanguinis), informação de qualidade de geração, etc.)  com o objectivo dos opositores a becas do Real Colégio de S. Pedro fazerem prova de serem filhos e netos de cristãos-velhos.   Engloba ainda inquirições de vita et moribus  (de vida e costumes) para atestação de bom comportamento moral e civil por parte dos referidos candidatos a becas.
Embora esses processos não estejam disponíveis em linha,  existe um Índice do cartório, redigido em 1824 pelo colegial Miguel Gomes Soares. Catálogo de processos e Índice de opositores bem como informações mais completas sobre este assunto encontram-se nesta ligação.
Ficamos, assim, a conhecer mais um instrumento de pesquisa genealógica, que esperamos vir a ser útil.
 kwADCoimbra

4 de junho de 2015

4 de junho de 2015 por Paula Peixoto comentários
Tribunal simultaneamente régio e eclesiástico, inseria-se na política de centralização do poder. A sua criação e os seus membros estavam ligados à Igreja, mas todo o funcionamento era superiormente controlado pelo rei.
O Tribunal do Santo Ofício estendeu a sua acção a todo o país e a quase todos os territórios submetidos à Coroa portuguesa no longo período da sua existência (1536-1821).
As leis pombalinas, a que declarou abolida a distinção entre cristãos novos e cristãos velhos e a que equiparou o Santo Ofício aos outros tribunais régios, retirando a censura da sua alçada, fizeram o Santo Ofício perder a sua anterior vitalidade. O regime liberal deu o golpe final à Inquisição portuguesa: em 1821 as Cortes Gerais Constituintes decretaram a sua extinção.
Fonte ANTT



PROCESSOS INQUISIÇÃO DE LISBOA

NATURALIDADE / DISTRITO ÍNDICE








NATURALIDADE / PAÍS ÍNDICE
AVEIRO Excel ÁFRICA/ÁSIA Excel
BEJA Excel BRASIL Excel
BRAGA Excel ESPANHA Excel
BRAGANÇA Excel OUTRAS NACIONALIDADES Excel
CASTELO BRANCO Excel

COIMBRA Excel ÍNDICE GERAL EXCEL
ÉVORA Excel Se detectou um erro no nome, naturalidade, ou outro, do(s) seu(s) familiare(s), p.f. informe-nos para que possa ser rectificado.
Comunicar Correcções aos índices
FARO Excel
GUARDA Excel
LEIRIA Excel
LISBOA Excel
PORTALEGRE Excel
PORTO Excel
SANTARÉM Excel
SETÚBAL Excel
VIANA DO CASTELO Excel
VILA REAL Excel
VISEU Excel
AÇORES Excel
MADEIRA Excel
SEM NATURALIDADE/INCOMPLETA Excel
kwADLisboa

1 de junho de 2015

1 de junho de 2015 por MC Barros comentários
Colecção de assentos encontrados "aqui e ali" e que, pela sua invulgaridade, linguagem, ou simples nota de humor - ou ainda por abrirem uma janela para as mentes do passado - achamos por bem reunir. Outros mais se seguirão, na melhor oportunidade. (Clicar nas imagens para aumentar).


Nº. 5


Aliviar a consciência - Passô, Moimenta da Beira, 9/3/1721

E no mesmo dia acima aos nove dias do mês de Março de mil e setecentos e vinte e um anos baptizei solenemente a Domingos filho de Isabel solteira (...) e deu por pai a Domingos Ferreira casado (...) e sendo como ele diz (...) foi feito sendo ele solteiro. Foram padrinhos o mesmo domingos Ferreira e Luísa filha de Inês Rodrigues viúva que ficou de Manuel de Paiva (...) e declaro mais neste assento que uma filha desta mesma Isabel solteira que está no livro que acabou a folhas cento e oito verso chamada Ventura tinha por pai a António solteiro filho de Manuel ... já defunto e de sua mulher Maria de Paiva me disse a dita Isabel solteira pusesse aqui por pai dela a Caetano solteiro filho de Manuel das Neves e de sua mulher Maria Rodrigues Neves porque era seu e não queria encarregar sua consciência e suposto o deu por pai no outro assento foi por ter dele outra filha e andar em demanda com ele e poder perder o seu direito a que tudo jurou aos santos evangelhos e foram testemunhas do referido Domingos Teixeira e ....da dita freguesia e por verdade fiz este assento com esta declaração que assinei dia mês e ano ut supra
-rec Manuela Alves

Pater ignoratur, ou talvez não - Olhão, 16/8/1759

Maria filha, cujus pater ignoratur, e de Maria Rosa escrava do Reverendo Prior desta igreja Doutor Sebastião de Sousa nasceo aos dezasseis dias do mes de Agosto de mil e sette centos e cincoenta e nove annos (...) sendo padrinhos o Reverendo Padre Frutuoso Rodrigues Pinto somente de que fis este termo que assignei dia era ut supra.
- rec Luís Tavares, B5 Olhão pag 42v


Certo é que... tinha mais de 200 anos - Olhão, 11/11/1816

Aos onze dias do mes de Novembro de mil oitocentos e dezasseis annos faleceu Diogo [rasurado] viuvo de Theresa de Jesus desta vila recebeo os Sacramentos da Igrª. Foi por mim encomendado e sepultado nesta Igrª sua Parochial. Consta me ser o homem mais antigo q havia neste vila disse q tinha cento e vinte annos. O certo he q o seu nascimento hé anterior da era de 1615 o q alcança o mais antigo livro de baptizados q tem esta Igrª e por ser perdido e primeiro livro, não pode exactam.te averiguar ... a sua idade. Havia treze annos q estava entrevado Quasi nunca se queichava nem gemia virava quasi continuam.te. Agradecia o q lhe davão, mas não falava do passado, nem do presente. De que fis este termo que assignei.
-rec Luís Tavares - Olhão . Lº Ob 1803/1818


Engeitada, mas não ignorada - Orada, 18/7/1679

Constou me que no lugar do Outeiro desta freguesia da Senhora da Orada nascera uma menina filha de Maria moça solteira filha de Francisco Lopes do dito lugar, e me constou que a tal menina depois de nascida havia cinco ou dez dias a foram pôr por engeitada sem ser baptizada nas portas do convento de Santa Clara da cidade de Coimbra e examinando este caso me veio uma certidão autêntica como a dita criança fora baptizada na igreja de S. Bartolomeu da dita cidade aos treze dias do mês de Julho da era de mil e seiscentos e setenta e nove anos pelo padre Manuel Gonçalves ... na dita igreja de licença do reverendo Prior e foi padrinho o Padre Manuel Ferraz e me constou pela dita certidão que a criança engeitada por nome Isabel fora levada de Santa Clara pelo Mister João Esteves tosador que ao tal tempo servia na mesa ... e se baptizou na dita igreja de S. Bartolomeu e por me constar de verdade fiz este assento hoje dezoito dias do mês de Julho de mil seiscentos e setenta e nove anos.

«Um assento curioso não só por provavelmente ser o único documento que revela informação sobre a família desta exposta como, caso raríssimo, demonstra a diligencia e preocupação de um cura em saber e registar o que sucedeu a uma menina nascida na sua paróquia e levada para ser deixada como enjeitada»
- rec Edmundo Vieira Simões


Engeitada em berço "dourado" - Santa Maria de Oliveira, Mesão Frio, 24/5/1696

Dona Francisca, enjeitada, filha de Pais nobres, e de limpo sangue, foi baptizada pelo seu Pároco aos vinte e quatro dias do mês de Maio de mil seiscentos e noventa e seis, e por sua via me foi mandada entregar para eu a mandar criar, e lhe fazer a solenidade do baptismo, tudo debaixo do segredo da Confissão, e à meia noite, estando bem escuro, batendo-me à janela da câmara em que eu dormia, ia com advertência deste negócio, lançando eu uma cesta com uma corda, sem eu ver, nem falar com pessoa alguma, a meteram na cesta, e puxando eu pela corda, trouxe a menina, e a lancei na cama até a entregar à Ama, e lhe fiz os Exorcismos em os treze de Agosto do mesmo ano, e se lhe dilataram porquanto quem ma recomendou queria vir assistir, e por resolver não convinha vir, lhos fiz assistindo a eles o Rev.do João de Carvalho Pereira e Domingos Martins, ambos desta freguesia. E para tudo poder assim constar fiz este assento." Ass. Francisco Gonçalves Cardoso, Abade; P.e João de Carvalho Pereira; D.os + Miz. 
Averbado à margem: "faleceu a 12 de Novembro de 1698; foi sepultada na Capela de Jesus Cruxificado junto da escada do púlpito, e foi a primeira pessoa que nela se sepultou.
- rec Rita VZ


Marido incógnito -  Infantas, Guimarães, 5/4/1634

Aos cinco de Abril do ano de mil seiscentos e trinta e sete se receberam nesta igreja conforme o rito do sagrado concelho tridentino, Isabel Gonçalves de S. Paio lugar desta freguesia com seu primeiro marido [ espaço ] foram testemunhas...
-rec MC Barros


Monsieur La Palice - Adaúfe, Braga, 1773/1865

- " Maria, rapariga do sexo feminino...";
- " Maria, criatura do sexo feminino...";
- " José António, rapaz do sexo masculino...";
- " José, infante do sexo masculino..."
- rec Eva Marques


Alcunhas - São Cristóvão de Ovar, 18/10/1887

(...) compareceram os nubentes Francisco de Oliveira e Maria de Jesus, a Careca e o Corcunda em mancebia (...)
- rec Ricardo M. Nunes‎


Casamento clandestino - S.Martinho de Mouros, Resende 16.5. 1758

Aos dezoito de Maio de 1758 estando eu a dizer Missa no altar Mor desta Igreja Colegiada de São Martinho dos Mouros deste Bispado de Lamego ouvi a voz de um homem que dizia está aqui alguma mulher que queira casar comigo? e logo respondeu uma mulher aqui está Ana Maria: ao que o dito homem respondeu: eu recebo a vós por minha mulher, e continuou com mais palavras que eu não percebi e a dita mulher lhe tornou a responder mas não percebi mais palavras do que as referidas mas sempre assentei que eram conforme marido e mulher que se foram a receber clandestinamente, e não percebi todas as palavras que disseram mutuamente mais do que as referidas porque apenas percebi ser matrimónio clandestino todo o cuidado apliquei a clamar por Manuel da Silva sacristão desta igreja, e pelo beneficiado Francisco Coelho que estavam na Sacristia para que acudissem a prendê-los o que não fizeram porque logo as ditas pessoas fugiram, e na Igreja se achava nessa ocasião só uma moça do lugar do ... chamada Leonor que diz não perceber as ditas palavras de forma que as possa juntar ele Sacristão e o dito Padre supra referidos também dizem não ouviram: que o dito homem que fez o dito clandestino se chama José Barbosa solteiro filho de Pantaleão Barbosa caseiro da quinta de Cardoso desta freguesia ao qual conheci muito bem naquele gesto e a dita mulher não conheci, e me disseram que era uma viúva da cidade do Porto: e que o dito José Barbosa me consta ter vencido para casamento por duas sentenças uma Marcelina Bernarda de Magalhães do lugar do Bairro de que fiz este assento para constar era ut supra.
-rec Manuela Alves, com transcrição por Madalena Campos - PT/AMDL/PRQ/RSD14/002/0003 Imagens 62 a 64

Se achou hum home morto - S. Mathias, Évora,  26 de Junho de 1730

Em os quinze dias do mês de Junho de mil e sete centos e trinta annos se achou hum home morto dentro do senteio da erdade da Albaneija já corrupto e em tal estado que se não poude conhecer nem se soube quem foi. Trazia hua vestia azul, e hums calsoens azuis e hum certú branco de pano fino, e hua camisa fina, e humas meias de saragoça quasi novas parecia beirão desses que trazem bestas carregadas de pano de linho; porque se lhe achou hum tinteiro na algibeira e junto delle huma vara de tanger bestas, e por estar em tal estado que estava meio comido da praga o mandei enterrar junto donde se achou morto por não haver quem pudesse chegar a elle com mao cheiro, e se lhe pôs huma cruz mataramno, e roubaramno, e só se lhe achou huma facada debaixo do sovaco esquerdo em cima do coração; e se algum dia se procurar fiz esse assento para por ele se tomar informação.
AD de Évora - Paróquia de São Matias, liv. 17, f. 86
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