Repositório de recursos e documentos com interesse para a Genealogia

Logo

  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

  • Apelidos de família: de onde vêm, como se formaram.

  • Índices de passaportes, bilhetes de identidade, inquirições de genere e outros.

4 de abril de 2016

4 de abril de 2016 por Manuela Alves comentários


“E se eles voltam!” era o dilema português, após Junot ser expulso em Agosto de 1808. Um dilema centrado em preocupações militares, onde sobressaía a ausência de um exército regularmente organizado e preparado para enfrentar de novo os franceses.
Eles voltaram! E o resultado foi a mais curta invasão napoleónica, quer no tempo quer no espaço, em que a violência do confronto foi característica dominante. Invadir Portugal pelo Norte, tendo o Porto como objectivo intermédio, revelou-se um erro, só possível de explicar pela ignorância relativamente ao temperamento das suas gentes, o apego à terra e a relutância em colaborar ou acomodar-se perante intrusos ostensivos; ignorância que se estende à orografia, ao clima e aos recursos alimentares e de alojamento da região, agrestes nos dois primeiros casos e escassos nos dois últimos.
Consequentemente, o fracasso da invasão, mais que uma fatalidade francesa, constitui uma realidade prognosticada, de tal forma que o Exército «galego» de Soult, que tinha Lisboa como objectivo final, não foi sequer capaz de se sustentar no Douro.

 Estas palavras do Tenente-coronel Abílio Pires Lousada, numa conferência em Chaves, a 31 de Março de 2009, no âmbito das comemorações do bicentenário da reconquista da vila aos franceses, evocam os sofrimentos civis que acompanharam a curta, mas mortífera,  invasão francesa no Norte do País.
Se o Desastre da Ponte das Barcas, a 29 de Março de 1809, que causou cerca de 4000 mortos, talvez seja  o episódio mais conhecido, os livros paroquiais das regiões atravessadas pelos invasores recordam as vítimas civis da violência da guerra. 
Fica aqui um convite: deixem nos comentários as ligações das fontes documentais dos relatos que conhecem, de modo a construirmos um repositório colaborativo sobre o tema. Conhecer e dar a conhecer a história das gentes anónimas, agora sob este aspecto,  insere-se num dos objectivos deste blog.



Adenda:
Em resposta ao nosso convite, recebemos as seguintes contribuições:

☆Braga,  Este(S. Pedro) - 20.3.1809 -UM-ADB/PRQ/PBRG46/003/0034- fl. 164/165, tif 37/38
-  Pesquisa de António José Mendes
☆Braga, Aveleda - 20.3.1809 -UM-ADB/PRQ/PBRG04/003/0030- fl. 101vº/102, tif 101
-Pesquisa de António José Mendes
☆V.N. Famalicão, Lousado - 24-26.3.1809 -UM-ADB/PRQ/PVNF24/003/0012- fl. 137/137v   tif 40/41
- Pesquisa de Teresa Silva
☆Porto, Lordelo do Ouro - 29.3.1809 -ADPRT/PRQ/PPRT06/003/0006- fl. 21/23, tif 89/91
- Pesquisa de José António Reis
☆Penafiel, Fonte Arcada - 16.4.1809 -ADPRT/PRQ/PPNF12/003/0007- fl. 204/205, tif 778/779
- Pesquisa de António José Mendes

Inicialmente publicado em 31.3.2016

3 de abril de 2016

3 de abril de 2016 por MC Barros comentários
Livros de registo de cédulas pessoais produzidos pela Conservatória do Registo Civil de Portalegre entre os anos de 1924 e 1927. A documentação contém informações relativas ao nome, data de nascimento, naturalidade, filiação e estado civil dos registados e, na maioria dos casos, fotografias dos mesmos.
Fonte




CÉDULAS PESSOAIS
Conservatória do Registo Civil de Portalegre
LIVRO DATAS ÍNDICE
Livro 1 15/06/1924 a 28/07/1924 Excel
Livro 2 01/08/1924 a 20/09/1924 Excel
Livro 3 20/09/1924 a 14/10/1924 Excel
Livro 4 Abril 1924 a 22/3/1927 Excel
kwADPortalegre

Inicialmente publicado a 15 Maio 2015

1 de abril de 2016

1 de abril de 2016 por Manuela Alves comentários

Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas foi uma importante figura da cultura portuguesa do século XVIII. Era Arcebispo de Évora, quando os franceses invadiram Portugal em 1807.
Em 13 de Julho de 1808, Évora, seguindo o exemplo de outras cidades portuguesas, subleva-se contra a dominação francesa.
Mas uma divisão francesa comandada pelo general Loison ( o célebre "maneta" cuja crueldade o povo do Porto consagrou tristemente na expressão "ir para o maneta" como sinónimo de "morrer")  derrota as forças aliadas regulares portuguesas e espanholas. Como represália,  o exército francês saqueia a cidade, provocando uma chacina.  D. Frei Manuel do Cenáculo, já com 85 anos, não escapou à fúria dos invasores e foi levado preso para Beja. Restituído à liberdade e ao seu Arcebispado, após a expulsão dos franceses morre em 26 de janeiro de 1814. 


Do “Diário” de Frei Manuel do Cenáculo, constituído por cinco códices com folhas soltas, que está digitalizado on line pela Biblioteca Nacional do Alentejo, salientamos a Relação das pessoas mortas na entrada dos franceses na cidade de Évora nos dias 28, 29 e 30 de Julho de 1808 pelo seu interesse genealógico.

 kwADEvora

30 de março de 2016

30 de março de 2016 por Paula Peixoto comentários
“Banho de casamento” era, Pregão que o Pároco lança na citação, para ver se há que ponha impedimento ao casamento. Chamasse pregão, porque se apregoa.Esses banhos são ditos em três dias santos.
...
Os proclamas corriam na paróquia dos contraentes, ou em ambas as paróquias no caso de residências diversas. O pároco, primeiramente, anunciava a intenção de contrair matrimonio dos noivos. Este anúncio era feito três vezes sucessivas durante a missa - após terminado o Evangelho e antes da prática ou homilia, aos domingos e nos dias santos de guarda. Após anunciar a futura união, o sacerdote conclamava os fiéis a que denunciassem qualquer impedimento para a realização do casamento.
No que competia aos Banhos, dispõe-se ainda nas constituições o que explicita o artigo número 269:
Os que pretenderem casar, o farão saber a seu pároco, antes de se celebrar o matrimonio de presente, para os denunciar, o qual, antes que faça as denunciações se informará se há entre os contraentes algum impedimento, e estando certo que o não há, fará as denunciações em três domingos ou dias santos de guarda contínuos [...].
in Arquivo Distrital de Beja




PROCESSOS DE PROCLAMAS OU BANHOS MATRIMONIAIS
CÂMARA ECLESIÁSTICA DE BEJA
ADBeja DATAS ÍNDICE
Link 11.02.1701 / 29.05.1888 Excel
kwADBeja

16 de março de 2016

16 de março de 2016 por Paula Peixoto comentários
Aos grupos de operários portugueses que se destinavam a França eram emitidos passaportes coletivos gratuitos, aquando do seu regresso a Portugal tinham de apresentar o passaporte ao cônsul e este entregava gratuitamente cédulas pessoais de regresso. Devido à conjuntura da 1ª Guerra Mundial não podia ser concedida licença para sair da Portugal a nenhum cidadão português com mais de 16 anos e menos de 45. De acordo com os Decretos n.º2717 e n.º2305.
in ADP




PASSAPORTES A OPERÁRIOS CONTRATADOS PELO GOVERNO FRANCÊS
LIVRO DATAS ÍNDICE
Livro 1 13.4.1917 / 21.4.1917 Excel

kwADPorto

25 de fevereiro de 2016

25 de fevereiro de 2016 por MC Barros comentários
Partilhado pelo autor, estas "notas biográficas e genealógicas das religiosas do Convento de Santa Clara de Portalegre", com o sugestivo título "Ramos Secos", para além de abordarem vários aspectos do ingresso neste convento, contêm um índice das freiras no período entre 1654 e 1829.

Soror Isabel do Menino Jesus, abadessa de Santa Clara (fonte da imagem)



O fundo deste convento pode ser consultado no Arquivo Distrital de Portalegre. Sobre o seu interesse genealógico, deixamos a palavra ao autor:

Sendo certo que o percurso destas existências silenciosas se resume, ao nível das fontes mais consultadas, a um único registo de baptismo, não é, porém, menos verdade que a documentação dos cartórios conventuais, matéria pouco estudada e, por essa razão, menos consultada, se pode revelar um excelente manancial de informação para o genealógico frequentemente confrontado com o esgotamento dos assentos paroquiais.



Descarregar o pdf

kwADPortalegre

22 de fevereiro de 2016

22 de fevereiro de 2016 por MC Barros comentários
Para quem tem familiares farmacêuticos, o Centro de Documentação da Ordem dos Farmacêuticos (CDF-OF), disponibiliza o seu acervo online na plataforma Archeevo. Alguns documentos, tais como as carteiras profissionais, contêm fotografia.





«O CDF-OF foi inaugurado em 25 Setembro de 2012 e está aberto à comunidade em geral. Tem como missão fundamental a preservação de acervos documentais, fomentar a investigação, o conhecimento e a memória da História da Farmácia em Portugal, da profissão farmacêutica nas suas diversas áreas, e reservar, valorizar, recuperar e divulgar património cultural que contribua para a memória dos farmacêuticos portugueses.» 

19 de fevereiro de 2016

19 de fevereiro de 2016 por MC Barros comentários
Importante salientar o interesse genealógico desta publicação, que inventaria os processos de justificação, os pedidos de segundas vias de justificação e o registo de atestações da série "Justificações de passaportes" existente no Arquivo da Companhia do Alto Douro para o período de 1805-1832: 

Pela análise deste fundo documental, foi possível recolher o nome dos titulares de passaportes, sexo, naturalidade, idade, profissão, estado civil, nome do cônjuge, número e nome dos acompanhantes, e ainda uma ou outra observação que entendemos interessante recolher para melhor conhecermos a identificação e as motivações daqueles que pretendiam embarcar para o Brasil.
- "Portugueses do Norte de Portugal com Destino ao Brasil (1805-1832)" - Fernando de Sousa e Teresa Cirne.

O documento é pesquisável, e pode ser descarregado no Repositório Aberto da Universidade do Porto. Para maior facilidade de leitura, incluímos aqui uma cópia já com as páginas na orientação correcta.

10 de fevereiro de 2016

10 de fevereiro de 2016 por MC Barros comentários
Encontram-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT) vários livros de índices das diversas Chancelarias, alguns já digitalizados. Trata-se de índices manuscritos, ordenados pelo primeiro nome.

Todos os Índices da Chancelaria Índices Digitalizados

A listagem completa de todos os livros de índices existentes no ANTT tem a referência PT/TT/ID/1.

3 de fevereiro de 2016

3 de fevereiro de 2016 por Gnealogiafb2 comentários

Todos nós conhecemos, por experiência, as lacunas dos registos paroquiais, quando se trata de contextualizar a "arquitectura" genealógica ou de acrescentar ou cruzar informação, sobretudo no caso dos aglomerados populacionais mais vastos ou mais diversificados,em termos de complexidade sócio-profissional.
Ora as listas dos contribuintes fornecem preciosas indicações sobre as actividades profissionais, as relações de vizinhança próxima e até sobre o tipo de habitação, como se poderá comprovar nestas duas imagens do Livro das Décimas da freguesia de Santo Ildefonso, Porto, 1730-31 (clicar nas imagens para aumentar).


Estes livros de registo da fiscalidade encontram-se nos acervo documentais dos Arquivos Municipais e muitas vezes desconhecidos dos estudiosos da história das famílias de que descendem, e cuja falta de notoriedade sócio-política parecia ter condenado ao esquecimento nas brumas do Passado. A sua divulgação permite, como exemplificamos, trazer mais umas pedras para a construção do passado dos nossos avós, que algumas leituras dos especialistas  dos temas, que vamos indicando na Biblioteca, ajudam a compreender melhor e a colmatar lacunas na nossa própria formação. Aprende-se durante toda a vida e, cada vez mais, por meios mais diversificados.

Para as freguesias do Porto, elaborámos um índice das Décimas existentes no Arquivo Municipal do Porto, no período de 1707 a 1731.


Para saber mais
Originalmente publicado em 1/2/2016

kwADPorto
por MC Barros comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicamos aqui alguns trabalhos elaborados por colaboradores para seu uso próprio e que, generosamente, decidiram partilhar. Trata-se de índices de baptismos, casamentos ou óbitos, de algumas localidades, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas. Abrimos o distrito de Coimbra com um índice de Galizes, elaborado por Edmundo Vieira Simões. Agradecemos também a Nuno Silva, pelos índices do Coutos de Cadima e de Outil.



Tabela
.

(1) - Existe um hiato no índice devido à falta de livro

Por indicação de Rafael Ferrero-Aprato, sugerimos uma visita a esta página dedicada à aldeia de Monte Frio (Benfeita, Arganil), com a transcrição de muitos livros de registos das paróquias de Benfeita, Piódão, Teixeira, Pomares (todas de Arganil) e Avô (de Oliveira do Hospital), cujo autor supomos ser Paulo Henriques, criador do site, que infelizmente parece abandonado desde 2011. 
Atenção:  a ligação tem uma música que começa automaticamente.

Originalmente publicado em 1/4/2015
kwADCoimbra

29 de janeiro de 2016

29 de janeiro de 2016 por Manuela Alves comentários
Uma das preocupações deste blog tem sido divulgar, junto dos interessados em investigar as suas raízes familiares, fontes documentais que lhes permitam a reconstrução contextualizada das gerações passadas, resgatando do limbo do esquecimento as memórias de gente humilde que deixou as suas pegadas em documentos esquecidos nos Arquivos, julgados de pouco interesse histórico fora do âmbito da comunidade científica.
Por outro lado, um novo entendimento de uma geração activa e interessada em valorizar os tempos deixados livres pelo termo das actividades profissionais ou das responsabilidades familiares, trouxe um público interessado pela genealogia familiar ou o conhecimento da histórica local, aproximando dos arquivos e das publicações científicas pessoas que, pela sua formação escolar ou profissional, estavam arredados desses meios.

A  estes novos interesses, os Arquivos têm  sabido corresponder com uma política de divulgação online dos seus acervos documentais, contribuindo para uma democratização cultural e de preservação patrimonial que nunca será de mais enaltecer.

Serve esta introdução para divulgarmos o Arquivo Histórico do Tribunal de Contas e a indicação de documentação com interesse genealógico.

Em praticamente todos os fundos documentais poderão ser encontrados elementos relevantes para estudos genealógicos como, por exemplo, nos livros de posse ou de ordenados dos vários organismos que antecedem o actual Tribunal de Contas. 

No entanto, destacamos especialmente os conjuntos da Décima da Cidade e Décima da Província cuja produção documental reflecte a aplicação do imposto da Décima, materializada em livros de prédios rústicos e de prédios urbanos, de maneio e de juros, contribuição de defesa e de novos impostos. Os livros eram escriturados por freguesias e dentro destas, rua por rua, prédio por prédio, discriminando os livros de arruamento não só o nome do proprietário do imóvel, mas também nas casas comuns, o de cada um dos inquilinos e respectiva renda paga e nalguns casos a profissão e o maneio, quando não existia livro próprio para o registo deste último imposto.

Para um melhor conhecimento desta documentação, sugerimos a consulta das respectivas listas disponíveis no website do Tribunal de Contas:

Décima (1762-1833):
Décima da Cidade (pdf) – lista ordenada alfabeticamente por freguesias da cidade de Lisboa com identificação das datas
Décima das Províncias (pdf) – lista ordenada alfabeticamente por comarcas e respectivas localidades  (Leiria, Santarém, Tomar, Torres Vedras) com identificação das datas.

Página inicial do Arquivo Histórico
Página inicial sobre o Arquivo Histórico e a Biblioteca do Tribunal de Contas
Acesso aos vários instrumentos de pesquisa disponibilizados online

O Arquivo Histórico e a Biblioteca do Tribunal de Contas dispõem de uma Sala de Leitura para atendimento presencial no edifício-sede do Tribunal de Contas (Av. Da República, 65, em Lisboa) que funcionam todos os dias úteis entre as 9h15m e as 17h15m.

Qualquer pedido de informação poderá também ser dirigido para o endereço electrónico do Arquivo Histórico e Biblioteca do Tribunal de Contas – dadi@tcontas.pt

Agradecemos vivamente ao Arquivo Histórico do Tribunal de Contas as informações que nos  enviaram.

16 de janeiro de 2016

16 de janeiro de 2016 por Manuela Alves comentários





 Um milagre de S. Vicente em 1698

Em 12.6.1701 casaram em Sequeira, Braga,  João de S. Vicente enjeitado, assistente na freguesia há 3 anos para onde o trouxeram sendo menor e  aleijado, andando de muletas e Isabel de Pina. Narra o celebrante do casamento o milagre que, por intercessão de S. Vicente, alcançou  o  noivo e que aqui se reproduz em tradução resumida livre, com o auxílio prestimoso do Abílio Carvalho e do António José Mendes: Sonhando algumas vezes com o dito santo, João  se fez em romaria a sua capela com grande trabalho por ser distante desta freguesia. Sucedendo-lhe passar da capela para a fonte, incapaz de subir um altinho, largou as muletas e deu um salto e se achou com as pernas estendidas que dantes tinha as barrigas das pernas coladas às coxas desde o seu nascimento que nem se lembrava de andar de outra sorte.  Isto sucedera no dia 1 de Maio de 1698,  quando ele teria cerca de dezoito anos.
Fonte: Imagem 234 do Batismos, matrimônios, óbitos 1575-1865 do Family Search
por GenealogiaFB comentários
Tudo sobredito me incitou a que fizesse aqui este assento para que os que o lerem tenham entendido quão contrário nos foi em tudo este ano inimigo... é um sugestivo excerto do Pároco de Salvaterra do Extremo, Idanha a Nova, que pode servir de denominação comum a estas notas deixadas nos registos paroquiais para nós. Mas porque nem tudo são tristezas e desgraças, o interlúdio poético, vindo de Celorico de Basto, faz o contraponto nestes relatos dos Repórteres do Passado. 



A Natureza


Gaspar Duguet - Paysage d’orage - © Museu das Belas Artes, Chartres

Eclipse do sol - Convento de S. Domingos, Porto - 21/8/1560
Era de mil e quinhentos e sessenta anos aos vinte e um do mês de Agosto uma quarta-feira junto das onze horas do dia foi o sol eclipse em tanto que a lua cobriu o sol de todo e foi feito noite e escuridão que apareceram as estrelas no céu e durou este eclipse um quarto de hora do dia ...escuridão
-rec por José António Reis

Cheias - Pico de Regalados, Vila Verde - 28/2/1623
Terça feira 28 de Fevereiro do ano de 1623 às dez horas do dia pouco mais ou menos veio uma chuva em espaço de meia hora pouco mais e fez tal enchente que levou a ponte de Agrela, e muitas outras, e quantos moinhos havia nas ribeiras e levou muitas uveiras, e sementeiras, e fez grandes quebradas em campos, e tal destruição que pessoas muito antigas afirmavam que não recordavam outra semelhante, nem quando fora o dilúvio de Cabaninhas, nem em dia de Santa Catarina que houvera 27 anos foi outra cheia muito grande porém que nenhuma chegara a esta, nem dera tanta perda, ad memorium feci - Padre Pedro de Sousa, abade.
-rec por António José Mendes

Neve e geada - Pico de Regalados, Vila Verde - Jan/1624
O mês de Janeiro de 1624 foi seco e todo ele geou mui grossamente, e a 11 de Fevereiro continuando a mesma geada cobriu tudo de muita neve, e dado que nos baixos se derreteu nos montes sempre esteve, e foi continuando caindo de dois em dois dias, e de três em três cobrindo tudo, e nos dezanove amanheceu toda esta terra coberta de mui grossa neve, dizem os mais antigos que lhe não recorda semelhante ano de neve, e geada, porque além de durar muito ordinariamente caía neve e geada juntamente, e nos dezanove que foi Domingo digo 19 de Fevereiro e a segunda feira cobriu tudo de neve, e com ela jogaram aqueles dias as laranjadas* e quinta feira 11 de Abril cobriu outra vez tudo de neve porém logo se desfez no mesmo dia, e foi muito bom ano de pão e vinho.
-rec António José Mendes
*laranjadas - jogo/brincadeira associada ao entrudo e que consistia em atirar laranjas uns aos outros.

Tempestade - Pico de Regalados, Vila Verde - Dez/1641
No mês de Dezembro de 1641 no descente da lua, nevou, e choveu muitos dias com tempestade desfeita com ventos de poente; na primeira oitava de Natal de noite, houve grandes ventos, chuveiros com trovões, no dia seguinte que foi sexta feira pelas duas da tarde pouco mais ou menos, começou uma trovoada com muita saraiva, mui grossa, intrometida com algumas pedras do tamanho de bugalhos pequenos, e logo com outras maiores que os bugalhos grandes, outras tamanhos como ovos e muitas tamanhos como ovos de pata, isto sem encarecimento, porque quebraram os telhados, mataram galinhas, tordos, melros,?, mancaram ovelhas, e por cima do sombreiro fizeram inchaços na cabeça de algumas pessoas: durou este pedraço quase um quarto de hora, dizem pessoas antigas que nunca viram cair tão grandes pedras, isto para na verdade em fé e dela escrevi aqui - o abade Pedro de Sousa

-rec António José Mendes



Interlúdio Poético


Admirador de Camões - S. Romão do Corgo, Celorico de Basto, 1663

Um gosto que hoje se alcança,
Amanhã já não o vejo;
Assim nos traz a mudança
De esperança em esperança
E de desejo em desejo.
(da redondilha "Sôbolos rios que vão")

Horas breves de meu contentamento
Nunca imaginei quando vos tinha,
Que vos visse mudadas tão asinha
Em tão compridos anos de tormento.

As minhas torres, que fundei no vento,
o vento as levou que as sostinha;
Do mal que me ficou a culpa é minha,
Pois sobre cousas vãs fiz fundamento.
(do soneto  "Horas breves de meu contentamento")
-rec por Manuela Alves




Guerra da Sucessão Espanhola

 Filipe V e Luis José I, duque de Vendôme, comandando as forças Franco-Espanholas 

Morreu o ano de 1704 - Salvaterra do Extremo, Idanha a Nova, 31/12/1704
Aqui fez termo e deu fim o infeliz e infausto e sempre digno de ser chorado (de todo Portugal) o ano de mil e setecentos e quatro, em o qual, no primeiro dia de Maio, entrou, por Salvaterra da Beira, Filipe Quinto, com um exército de Castelhanos e Franceses, tão infeccionado e apestado que a todas as povoações a que chegou com este pestífero contágio infeccionou; e mais que todos a esta Vila, que sitiou e conquistou, aonde se deteve dezoito dias; porque, tanto que nela o seu exército entrou, o seu pestífero contágio começou, com tantas vivas que, na freguesia de Sta. Maria, Matriz desta Vila, morreram trezentas e sessenta e uma pessoas grandes, que enterrou a tumba da Misericórdia na freguesia e, não havendo já nela covas, encheram o tabuleiro de defuntos, e, depois deste, o Adro ao longo da Igreja, com tal modo como, hoje em dia, se vai continuando. Na casa da Misericórdia, a esta Igreja anexa, foram tantos os pobres e necessitados a que a casa deu mortalha e sepultura, que não se acha hoje, no seu cemitério, lugar para enterrar nenhum defunto. Na Sra. da Vitória, também anexa, hospital que foi dos Padres Capuchos, se enterraram, no cemitério que ali se acha (com minha licença), muita gente de Marvão que, nas azenhas e casas das fazendas à roda, faleceram, aonde em cobertores e paninhos os traziam seus parentes e amigos, até que no tal cemitério os enterravam e cobriam. Pois se fizermos menção dos meninos, anjinhos e inocentes pelos quais se começou este contágio acharem os que morreram nesta Vila tantos, e com tão grande excesso que já não cabem no Claustro do Convento. Tudo sobredito me incitou a que fizesse aqui este assento para que os que o lerem tenham entendido quão contrário nos foi em tudo este ano inimigo, pois nele ficamos sem pão, sem gados, sem fazendas, só com temores, sobressaltos e ameaços de morte, a cada passo. Como melhor contarão os que deste ano escaparem àqueles que, com curiosidade lho perguntarem. Dezembro, trinta e um, de mil e setecentos e quatro.
Padre Carrilho de Sequeira
-rec António José Mendes


Invasões Francesas


Artilharia Francesa - Fonte da imagem

Memorandum - Lordelo do Ouro, Porto, 29/3/1809
Aos vinte, e nove dias de Março pelas 9 oras da manham deste dia infelizmente introu huma coluna do ezercito frances por esta freguezia de Lordelo matando todas as pessoa que incontrava não somente dentro de suas casas, mas tambem fora dellas, saqueando-as e roubando-as ao mesmo tempo, e fazendo todo o género de hostilidades, e mandando eu proceder na averiguação das pessoas, que morrerão pertencentes á esta minha freguezia, e que erão meos freguezes, que todos forão sepultados pellos campos, e caminhos desta mesma freguesia por ordem do governo francês, então dominante; achei serem os seguintes. Digo aos vinte, e nove de Março de mil oito centos, e nove. [segue-se a lista das vítimas]
ADPRT, Registos Paroquiais, fregª de Lordelo do Ouro, concº do Porto, Livro O-1, f. 21, 22 e 23.
- rec José António Reis


Batalha na serra do Carvalho - Aveleda, Braga, 20/3/1809
Aos vinte dias do mez de Março do anno de mil e oitocentos e nove, entrou o ezercito da Nação Francesa a roubar as igrejas e nellas a fazerem muitos ultrajens roubar as cazas por cuaze toda esta provincia do Minho houve hua grande vatalha na serra do Carvalho na qual falecerão as pessoas seguintes freguezes desta freguezia de Santa Maria de Aveleda a saber (...)

- rec António José Mendes





O flagelo dos incêndios - Andrães, Vila Real  - 31.8. 1688

Em o último dia do mês de Agosto do ano mil e seiscentos e oitenta e sete, às duas horas da tarde, se levantou neste lugar de Andrães um fogo tal, que bem exprimia a figura do dia do juízo, pois dentro de menos de uma hora, levantando-se com a primeira casa do lugar, da parte direita conforme a igreja, se queimaram trinta e oito casas, fora os quinteiros, dos bens que elas tinham e frutos recolhidos e veio a parar por misericórdia de Deus e virtude do Santíssimo Sacramento a que se acudiu com preces na casa da renda, que ficou ilesa, com mais quatro casas entre meio, que eram de telha, sem poder valer humana indústria alguma, nem trabalho muito dos moradores e lugares vizinhos de Constantim, Mosteirô, Fronteita, São Cibrão, Galegos e Carro Queimado e por ser tão notável para memória e Louvor do Santíssimo Sacramento fiz este, die ut supra.
 
  PT/ADVRL/PRQ/PVRL03/002/022 de Andrães Vila Real Imagem 3
  Transcrição de António José Mendes







Os textos aqui reunidos foram originalmente partilhados no Facebook.

7 de janeiro de 2016

7 de janeiro de 2016 por Paula Peixoto comentários

Registo Passaportes - ADB

Nota- as palavras encontram-se sem qualquer acentuação, tal como são apresentadas no Arquivo Distrital de Braga.


LIVROS DE REGISTO DE PASSAPORTES
Arquivo Distrital de Braga
DATA ÍNDICE
07/12/1868 A 11/04/1871 Excel
30/10/1873 A 20/11/1881 Excel
26/05/1877 A 04/07/1882 Excel
04/07/1882 A 31/05/1886 Excel
01/06/1886 A 23/10/1888 Excel
24/10/1888 A 20/11/1890 Excel
20/11/1890 A 02/11/1892 Excel
03/10/1893 A 01/02/1896 Excel
01/02/1896 A 06/02/1899 Excel
07/02/1899 A 27/10/1902 Excel
kwADBraga
Biblioteca
Videoteca