Repositório de recursos e documentos com interesse para a Genealogia

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  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

  • Apelidos de família: de onde vêm, como se formaram.

  • Índices de passaportes, bilhetes de identidade, inquirições de genere e outros.

30 de dezembro de 2017

30 de dezembro de 2017 por Manuela Alves comentários
O Arquivo Histórico Municipal do Porto tem vindo a disponibilizar on line os róis das Décimas da cidade do Porto, que foram objecto de um post específico e outros com eles relacionados.
 Lançamento da Décima da Cidade (do Porto)
É  um trabalho moroso de bastidores, que exige tempo, disponibilidades materiais e humanas para que documentos há muito tempo arquivados, com critérios que hoje nos escapam, possam ser úteis a um público não especializado e com interesses de investigação diferenciados.
No sentido de obviar esta longa e necessária espera pela totalidade do espólio arquivístico existente no AHMP, resolvemos facultar neste blogue à medida das nossas disponibilidades temporais (enquanto outros voluntários não se juntam a nós no AHMP para estas tarefas) índices das Décimas do Termo do Porto,
Com esses índices, damos a conhecer um súmula dos documentos  existentes, facilitando aos interessados eventuais pedidos ao Arquivo Histórico Municipal do Porto das respectivas digitalizações ao preço tabelado.
  


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27 de dezembro de 2017

27 de dezembro de 2017 por Manuela Alves comentários

A divulgação on line dos registos da Décima existentes no Arquivo Histórico Municipal do Porto, que abrangem também o seu Termo, fez-nos procurar informação, que, sem cair na especialização sobre o tema, nos desse conhecimentos para compreendermos a evolução da administração municipal e a sua abrangência geográfica,
Partilhamos esta comunicação que cumpre, simultaneamente, dois requisitos: esclarece o essencial e abre portas para os que quiserem saber mais...

Albuquerque, A. S. (2000). Administração Municipal do Porto no século XVIII. In Seminário Internacional sobre História Municipalismo, Poder Local e Poder Central no Mundo Ibérico, Las Palmas e Funchal, 24-28 Out.2005 (pp. 391-420). Região Autónoma da Madeira: CEHA.
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26 de dezembro de 2017

26 de dezembro de 2017 por MC Barros comentários
A partir do Livro de Prazos do Cabido da Sé de Braga, António Losa, no seu Subsídios para o Estudo dos Judeus de Braga no Século XV,  dá-nos a conhecer a comunidade judaica de Braga no período precedente à expulsão. A maioria, se não a totalidade, seriam inquilinos do Cabido, tanto na Judiaria Velha como na Nova, tendo, por esse motivo, celebrado contractos que o autor transcreve. Na documentação compulsada vão surgindo os nomes hebraicos que a conversão forçada e a expulsão  lançariam no esquecimento.

Rua de Santo António (Judiaria Nova) e Rua do Poço ou de Santa Maria (Judiaria Velha), onde se situava a Sinagoga, em 1750.


A par dos nomes típicamente hebraicos, como Isaac, Jacob, Abraão, Salomão, Samuel, Yuda, Moisés, Mosse, Mouse, Mousém, Menahem, surgem também outros de origem peninsular, como Almeida. Encontram-se também nomes desconhecidos entre os apelidos portugueses, como Brafanez, Cema, Tamassas, etc, e outros de óbvia origem galega e castelhana. Uma curiosidade assinalada pelo autor é o facto de alguns prazos estarem assinados pelos arrendatários com caracteres hebraicos.

O estudo permite também perceber como são ilusórias  as listas de apelidos sefarditas portugueses que se multiplicam online, julgando alguns incautos terem origem judaica apenas por terem um desses apelidos. Vejamos um exemplo: um ramo da família Brafanez converteu-se, tendo adoptado o sobrenome Barros, nome de origem toponímica e comum a muitos portugueses. Vamos, assim, encontrar um Gabriel de Barros a residir em Ponte de Lima, precisamente num dos prazos transcritos pelo autor.

Prazo de duas casas na rua da Judiaria que até agora era hua só morada, que tinha sido emprazada a Isac Brafanes, que ao depois se chamou Gabriel de Barros morador em Ponte de Lima e a sua mulher Villida, que ao depois se chamou Branca Pereira, feito de hua a Fernam Bravo, e a duas pessoas; e da outra casa a Águeda Anes irmãa do dito Fernam Bravo e a duas pessoas. Não falla em Laudemio. 14 de Fevereiro de 1500.

Logo a iniciar o estudo, refere o autor que «contrariamente ao que acontece com os de outras terras minhotas - Guimarães e Barcelos, por exemplo - os judeus de Braga não têm história». Não têm história porque não deram que falar, não existiu entre eles «nenhuma sumidade, quer no campo das letras, quer no das ciências, quer em qualquer outro domínio», nem tão pouco nos chegaram ecos «das calamidades que se abateram sobre os filhos de Israel, sobretudo no decorrer so séc. XV». No entanto eles não escaparam à perseguição e exílio. Frei Pantaleão de Aveiro, no seu Itenerário da Terra Santa e suas particularidades, refere que não teriam ainda  «passado vinte casas quando de uma delas saem cinco, ou seis Judeus Portugueses, dizendo com grande alvoroço um deles: Padre Fr. Pantaleão, quem vos trouxe cá, quem havia de cuidar que viríeis a esta terra? (...) acudiram logo outros das suas lojas com muita alegria, e com eles um moço de bem pouca idade, que por me dizer, não haver dois anos, que saíra de Portugal, lhe perguntei donde era, e porque se ausentara. Disse-me ser natural de Braga, e que fugira, porque queimaram seu pai e tinham presa sua mãe».

Losa, António, Subsídios para o Estudo dos Judeus de Braga no Século XV (pdf)
I Congresso Histórico de Guimarães e sua Colegiada (1980), Volume V

kwADBraga

22 de dezembro de 2017

22 de dezembro de 2017 por Manuela Alves comentários
Foi adicionado à nossa Biblioteca, prateleira Geografia Histórica o álbum Cartografia portuense publicado pelo Manuel de Sousa no seu interessante e completo blogue Porto Desaparecido que nos transporta ao Porto dos nossos antepassados...

9 de dezembro de 2017

9 de dezembro de 2017 por MC Barros comentários

Por Rui Faria

Falar de Braga na primeira metade de Seiscentos é retratar uma cidade impregnada do espírito contra reformista, onde não havia lugar à diferença no que toca ao rito oficial. Todavia, as dinâmicas comerciais que se faziam sentir, remontam ao século anterior, enraizadas entre a comunidade cristã-nova. A exemplo de outras comunidades do país, algum do fervor religioso mais exacerbado que se vislumbra em Seiscentos, foi propagado por membros destas linhagens que a custo tentavam limpar a mácula no sangue, distanciando-se dos passados, sem nunca esquecer o espírito de sacrifício e a extraordinária capacidade para um incansável recomeçar, quase que inscrito nos genes dos perseguidos pelo tribunal que se dizia Santo. 

Um destes personagens foi Pedro de Aguiar, Familiar do Santo Ofício, descendente da comunidade sefardita bracarense, que, cansado de ver as perseguições a que eram sujeitos os infamados, alinhou no status quo e abraçou a empreitada de limpar a mácula de seu sangue. 

O singelo testemunho de Valério Pinto “homem que sabe todas as notícias antigas de Braga” refere que

na era de mil seiscentos e vinte até mil seiscentos e vinte e cinco houvera na cidade de Braga muitas prisões pelo Santo Ofício, e que por esse motivo as mais das pessoas limpas de infecta nação e possantes se meteram familiares do Santo Ofício e que um deles fora o dito Pedro de Aguiar. 

Mas desenganem-se os que pensam que Pedro renegou os seus, pelo contrário, diz-se que avisou «uns judeus muito ricos que fugissem tendo ele ordem do Santo Ofício para os prender».

De seu casamento, quis Deus que dos vários filhos nascidos nenhum sobrevivesse aos pais; como tal, Pedro de Aguiar, perseguindo o seu objetivo, investiu o capital amealhado de uma vida em obras pias. Fundou «o recolhimento das beatas do Campo de Santa Ana, que hoje são professas como consta da escritura feita a oito de maio de mil e seiscentos e trinta e um deixou vinte e cinco mil reis de renda cada ano ao Santíssimo Sacramento da Sé de Braga fez mais no hospital de Braga a Capela de São Marcos com trinta mil reis de renda cada ano como consta de um epitáfio que está no altar da dita capela que diz o seguinte: esta capela mandou fazer Pedro de Aguiar familiar do Santo Ofício mandou fazer a capela do Nascimento de Nossa Senhora à Branca, e nela rezam seis capelas e para tudo deixou rendas o dito Pedro de Aguiar e consta de um epitáfio que está no lado esquerdo da dita capela que diz esta capela do Nascimento do Senhor mandou fazer Pedro de Aguiar familiar do Santo Ofício faleceu o dito Pedro de Aguiar a vinte e cinco de dezembro de mil seiscentos e cinquenta e seis como consta do letreiro que se vê escrito na sua sepultura na mesma capela que diz aqui jaz Pedro de Aguiar familiar do Santo Ofício e deixou à Misericórdia de Braga muitos dinheiros que andam a juro e do procedido deixou que se casassem as órfãs que fossem suas parentas».

por MC Barros comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicamos aqui alguns trabalhos elaborados por colaboradores para seu uso próprio e que, generosamente, decidiram partilhar. Trata-se de índices de baptismos, casamentos ou óbitos, de algumas localidades, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas.
O nosso agradecimento à Ana Josefsson que disponibilizou os seus índices, trabalhos que aqui se publicam.

SETÚBAL - Casa do Corpo Santo - Pormenores dos Azulejos do séc. XVIII, no interior (Fonte da imagem)



Tabela
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kwADSetubal

3 de dezembro de 2017

3 de dezembro de 2017 por MC Barros comentários
As Memórias Paroquiais de 1758 reúnem as repostas ao inquérito sobre as paróquias e povoações, ordenado pelo Marquês de Pombal em 1758, três anos após o terramoto de Lisboa. Nestes documentos os párocos registaram as descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas e administrativas das respectivas paróquias.

A tarefa de proceder à organização das respostas de todos os documentos enviados pelos párocos coube ao Padre Luís Cardoso, sendo concluída em 1832, já depois do seu falecimento, altura em que terá ficado completo o índice de todas as respostas aos inquéritos recebidos.

Índice, elaborado e partilhado por Manuel Guilherme Vasconcelos, com ligações para os diversos documentos de Memórias Paroquias disponíveis online.

Transcrições elaboradas por colaboradores do blogue a quem agradecemos a partilha.
Azinhaga, Santarém - Por Carlos Fidalgo
Famalicão, Pederneira - Por Carlos Fidalgo
Pederneira, Leiria - Por Carlos Fidalgo
Cortiça, Pombeiro - Por Filipe Pinheiro de Campos
Alvarenga, Arouca - Por Pedro Teles
Vale de Figueira, Santarém - Por Carlos Fidalgo e António José Mendes
Quiaios, Figueira da Foz - Por Carlos Fidalgo e António José Mendes


Informação do arquivo:
O título da colecção "Memórias Paroquiais" é um título consagrado pelo uso, e surge na maioria das monografias que utilizam ou transcrevem documentos desta colecção. No entanto, os volumes que constituem a colecção apresentam na lombada a designação de "Dicionário geográfico de Portugal" e o vol. 44 apresenta na página de rosto "Índice geografico das cidades, vilas e paroquias de Portugal conteudas nos 43 volumes manuscritos do Dicionário Geográfico existente na Biblioteca das Senhora das Necessidades". Os autores Fernando Portugal e Alfredo de Matos (In: Lisboa em 1758. Lisboa: [s.n.], 1974. p. 13) consideram que é um erro chamar-se Dicionário Geográfico de Portugal às Memórias Paroquiais, uma vez que as respostas dos párocos utilizadas para a elaboração do Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso foram destruídas pelo terramoto de 1755.
Fonte: ANTT

Publicado em 25/07/2014
por Manuela Alves comentários
Pelo seu indubitável interesse e porque não é facilmente acessível, aqui se partilha o artigo da excelente Revista  Raízes & Memórias nº 9.
 





22 de novembro de 2017

22 de novembro de 2017 por Manuela Alves comentários
Para darmos a conhecer a toponímia antiga de Braga, consultamos fundamentalmente a obra de Eduardo Pires de Oliveira[1], existente na BPMP, e dela respigamos excertos, quer do próprio autor quer de outras fontes por ele citadas. Sendo este um instrumento de trabalho, e com as fontes identificadas, as transcrições foram adaptadas ao nosso objectivo. Contamos igualmente com a colaboração do António José Mendes, a quem agradecemos, que partilhou connosco ficheiros seus, já convertidos em Word, que muito facilitaram a nossa tarefa.

Pelo Tombo do Cabido (1369-1380) pode-se conjecturar que a cidade se estendia numa pequena zona situada a S.W da catedral e definida pelas actuais ruas do Alcaide, D. Paio Mendes, largo de S. João do Souto e rua D. Frei Caetano Brandão, a que devemos acrescentar as ruas de Janes e do Souto, bem como as que ligavam as igrejas suburbanas de S. Vicente, S. Vítor e S. Frutuoso, e o início das estradas que uniam Braga a outras povoações.
Com o decorrer dos tempos a cidade continuará a crescer. D. Diogo de Sousa[2], quando chegou a Braga encontrou não uma cidade mas uma aldeia. Resolveu imediatamente transformá-la. O mapa de Braunio (1594) mostra-nos já uma cidade aberta, espraiando-se em direcção a S. Vicente e S. Vítor e à ponte de Guimarães.

Mapa de Braunio de Braga (1594). 1 - Sé; 2 - Castelo; 3 - Paço Arquiepiscopal; 4 - Casa da Câmara; 5 – Estudos Públicos. In Melo, Arnaldo e Ribeiro, Mª do Carmo (Coord.), História da Construção - os construtores. Braga: Ed. CITCEM, 2011, p. 99-128 (http://hdl.handle.net/1822/15455).

O século XVII será um período morto, mas no século XVIII foi necessário criar mais ruas onde pudessem ser construídas novas casas. Em 1725 é aberto um novo largo, donde irradiavam quatro ruas - o Campo Novo[3]. O século XIX será paralelo ao século XVII e só na segunda metade desse século o marasmo continuará a ser vencido.

Braga – Ruas e Praças da Braga Medieval (ALBERTO FEIO) [DIÁRIO DOMINHO, 16.8.1942]
Braga –Designação de Ruas e Praças (LEONÍDIO DE ABREU) [CORREIO DO MINHO, 30.4.1949]
Braga - Denominações antigas d’algumas ruas desta cidade
Braga -Traçado actual das antigas ruas de Braga


[1] As alterações toponímicas (1380-1980) Braga : ASPA, 1982. - 121 p., [1] f. est.; 24 cm. - (Estudos Bracarenses; 1. - Sep. "Museu", 3a Série (1), 1981
[2] Diogo de Sousa (c. 1461-1532) foi bispo do Porto de 1496 a 1505 e de seguida arcebispo de Braga até à sua morte. Foi pela sua acção que Braga rompeu a cintura de muralhas medieval, e se alargou extra-muros.. São da sua responsabilidade a abertura de novas ruas e praças uma nova porta da cidade, o Arco da Porta Nova. Construiu novas igrejas fora de muros como a Senhora-a-Branca.
[3] A actual designação oficial (praça de Mouzinho de Albuquerque) foi atribuída 1898 apenas foi confirmada pela autarquia em 1942. O logradouro continua, entretanto, a ser chamado pela população de “Campo Novo”. 

kwADBraga

19 de novembro de 2017

19 de novembro de 2017 por MC Barros comentários
A Revista Portuguesa de História (RPH) é uma revista de periodicidade anual, criada em 1941, no âmbito do Instituto António de Vasconcelos, designado, desde 1975, Instituto de História Económica e Social. Esta Revista tem-se dedicado, desde a sua fundação, à publicação de estudos de investigadores portugueses e estrangeiros na área da História, desde a Antiguidade até à Época Contemporânea. 



A RPH está empenhada na divulgação dos resultados da investigação histórica nas áreas da História Portuguesa e Mundial, sob a forma de artigos, recensões críticas e notícias.  

O acesso é livre, seguindo o princípio de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização do conhecimento em nível internacional. 

Podem aceder aos números que se encontram disponíveis online, a partir do nº 39, onde encontrarão estudos muito interessantes para Genealogia.

kwADCoimbra

18 de novembro de 2017

18 de novembro de 2017 por Manuela Alves comentários
A consulta de documentos antigos, nomeadamente dos registos paroquiais, listas de contribuintes ou de recenseamento político, por exemplo, e o desejo de não reduzir a genealogia familiar a uma lista de factos vitais mas sim o de reconstituir  tanto quanto possível  o contexto em que viveram os nossos antepassados,  estão na origem da criação deste instrumento auxiliar. 

Capela N.S. das Dores (vista actual), onde casaram os meus trisavós
Ele resultou da nossa própria investigação das raizes familiares, sem nenhuma veleidade de criação original ou de rigor na transcrição das fontes, primárias ou secundárias. Limitamo-nos a indicar as fontes primárias onde fomos buscar a informação.
Começo pela Póvoa de Varzim, e agradeço publicamente toda a ajuda que me foi dada pela Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, na pessoa da Dra Ana Maria Caldas da Costa.
Este tópico está aberto à contribuição de outros voluntários. Basta enviarem os ficheiros disponibilizados pro bono para o mail do blogue para publicação e atribuição da respectiva autoria
Toponímia antiga da Póvoa de Varzim

kwADPorto

12 de novembro de 2017

12 de novembro de 2017 por MC Barros comentários
Seguindo uma dica da Márcia Helena Miranda de Sousa, criamos esta tabela em Excel para calcular a percentagem de antepassados identificados. Desconhece-se o autor da ideia original.

ou


Instruções:
  • Inserir o número de pessoas identificadas, por geração e lugar de origem. 
  • As células a cinzento são de cálculo automático (não precisam de teclar nada nelas).
Para inserir novas colunas:
  • copiar as duas últimas células cinzentas das linhas 22 e 23 e colar numa nova coluna, nas mesmas linhas. Podem depois formatar a coluna com limites, cores, etc.

Tabela da Márcia Helena e na qual nos baseamos, já preenchida:


Mãos à obra :-)


9 de novembro de 2017

9 de novembro de 2017 por MC Barros comentários
Da leitura de documentação antiga resultam, por vezes, algumas descobertas interessantes. É o caso da tomada de posse da igreja de S. João de Castelões pelo novo reitor Domingos de Sousa. Nele se descreve o ritual seguido nessa investidura. 

Missa de S. Gregório por Francisco de Campos - Séc. XVI (1560-1570) - Arquidiocese de Évora


Pela raridade deste tipo de testemunhos, achamos que seria de interesse para todos aqueles que têm antepassados que exerceram o mesmo cargo, e não só.

Aos vinte e dois dias de Março, domingo de paixão, dominica passion, do ano presente de seiscentos e quarenta e três na igreja paroquial de São João de Castelões do termo da vila de Guimarães, me foi entregue umas bulas apostólicas de Sua Santidade, as quais beijei e pus na coroa da cabeça como filho obediente aos mandados apostólicos, e as preguei na porta principal da dita igreja matriz, e as publiquei, estando presentes a maior parte dos fregueses, e por verdade delas dei posse a Domingos de Sousa reitor novo, e a seu requerimento fiz o seguinte, e das testemunhas abaixo nomeadas, e logo ele reitor disse missa na dita igreja, tomando a dita posse dela, pondo as mãos nos cálices e pedras de ara e corporais e vestimentas, e livros, e galhetas e tomou as chaves nas suas mãos e abriu as portas e as fechou, e tangeu o sino, sendo vigário na dita igreja o padre Francisco Jorge com seu título ad nutum, o qual disse que não punha dúvida alguma a ele dito reitor a tomar posse, mas que protestava não prejudicar seu direito que tinha de vigário com seus títulos que tem, assim desta dita igreja como da igreja de São Pedro de Queimadela e meeira a esta igreja de são João de Castelões. Testemunhas Domingos Fernandes de Varzielas e João Jorge e Pedro Francisco e António Francisco, Domingos Gaspar, todos fregueses desta igreja de Castelões, e eu Ciprião Machado, vigário de Santa Cristina de Agrela, que esta posse dei a requerimento do dito Domingos de Sousa reitor novo hoje era ut supra.

Não é difícil imaginar o ritual através das palavras de Ciprião Machado; os beijos, as bulas na cabeça, o abrir e fechar de portas, tanger o sino e tocar os objectos, todo um comportamento que não deixava dúvidas, a presentes e futuros, de que a reitoria era agora sua. Numa época em que ainda não eram seguidas regras rigorosas para a realização e arquivamento de inquirições de genere (os habilitandos ficavam com os processos, que acabavam por se perder), estes documentos serviam também de prova de sacerdócio. Neste caso específico, 50 anos mais tarde, ajudou a provar a pureza de sangue da geração de um habilitando. A braços com um impedimento que lhe resultara da fama de cristão-novo de que padecia, esgravatou arquivos à procura de provas da cristã velhice da sua família. Assim, com este documento, «donde se deixa ver as falsidades do impedimento», não deveria a diocese duvidar da sua limpeza, uma vez que, na percepção da altura, nunca teria Domingos de Sousa sido aprovado se fosse cristão-novo. Sabemos que muitos cristãos-novos foram de facto aprovados sob a capa de cristãos-velhos, mas isso é outra história...

kwADBraga
por MC Barros comentários
Publicados no Boletim de Trabalhos Históricos, estão online, mas dividido em vários pdf's. Os pdf's não são pesquisáveis e o português é o original, pelo que não é possível pesquisar dentro deles. Têm no entanto a vantagem de estarem ordenados cronologicamente.

Vol. XII, 1949-1950, p.160-192

1745 a 1746 - Revista: Vol. XII, 1949-1950, p.160-192
1746 a 1747 - Revista: Vol. XIV, 1952, p.73-96
1747 a 1749 - Revista: Vol. XIV, 1952, p.161-192
1749 a 1750 - Revista: Vol. XV, 1953, p.158-179
1751 a 1751 - Revista: Vol. XVI, 1954, p.97-104
1751 a 1752 - Revista: Vol. XVI, 1954, p.180-192
1752 a 1753 - Revista: Vol. XVIII, 1955, p.142-169







7 de novembro de 2017

7 de novembro de 2017 por MC Barros comentários
Documento muito interessante sobre a emigração portuguesa para o Brasil, sobretudo por abordar também o período colonial. Nele são listadas variadas fontes que poderão ser úteis para pesquisa de passaportes dessa época.



"Muitos portugueses chegaram no Brasil durante essa época, não apenas como colonos subsidiados, mas também como migrantes por conta própria. Livros de registo de passaportes do fim do século XVIII mostram que havia um pequeno, porém constante fluxo de pessoas que migravam para o Brasil independentemente. Estes não faziam parte de nenhuma iniciativa de colonização de um estado patrocinador, mas buscavam um futuro melhor." Note-se, no entanto, que a maioria seguia para o Brasil sem passaporte, sobretudo as mulheres.

Ainda assim, muitos desses recém-chegados (...) vieram para o Brasil sem passaporte e a sua chegada nunca foi registada. Em 1833, o chefe de polícia do Rio de Janeiro, Aureliano de Sousa Oliveira Coutinho, declarou que um grande número de portugueses haviam entrado no Brasil sem passaporte. Este afirmou:

  • ... milhares de portugueses, que atualmente nele (no império) estão residindo, é bem sabido que a maior parte deles veio sem trazer passaporte.
Um ano depois, o cônsul português João Baptista Moreira afirmou que a maioria dos portugueses vivendo no Rio de Janeiro tinham imigrado sem passaporte.   
A chegada de constantes e massivas ondas de portugueses no Brasil também é evidenciada por fontes qualitativas. Por exemplo, em 1826, o cônsul português no Rio de Janeiro Carlos Mathias Pereira, escreveu para o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o Conde do Porto Santo, dizendo que todos os navios de portugueses, particularmente vindos do Porto, chegaram ao Rio cheios de pessoas fugindo de Portugal.

  • Permita-me V. Exa. que eu tome a liberdade de apresentar que todas as embarcações que saem de Portugal vem cheias de gente fugida, particularmente as que vem do Porto. O “Danúbio” que chegou ultimamente, além de um grande número de pessoas que trouxe de mais na lista da tripulação, trouxe escondidos 38 rapazes; esta classe de gente que vindo para  o Brasil deve fazer falta a agricultura de Portugal.


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