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13 de dezembro de 2019

13 de dezembro de 2019 por MC Barros comentários
São imensas as pessoas que têm um ou mais expostos nas suas árvores de família,  e são muito poucos os casos em que conseguem ultrapassar o silêncio em torno dessas origens e descobrir, num golpe de sorte, quem foram os seus pais. A maioria permanecerá, talvez para sempre, incógnita, mas não deixaram de ter mães na forma das amas, na sua maioria mulheres com pouquíssimos, ou nenhuns, recursos, o que tornava o pagamento pela criação dessas crianças uma ajuda essencial à sua sobrevivência. Da miséria e exploração desta triste condição dá-nos conta L.A. de Carvalho na sua obra «Os Mesteres de Guimarães - Mercadores e Mesteirais». O autor analisou os livros de vários mercadores dessa cidade e neles encontrou lançamentos que contam parte dessa história.


«Um dos espectáculos tristes que ocorria, há cem anos, em frente da casa da Câmara, era o aluvião de amas mercenárias que, com as crianças ao peito, vinham lá das aldeias, para receber o magro ordenado devido pela criação dos expostos.

A Câmara, sempre na penúria de recursos, vivia em calote permanente com as referidas amas de leite. Deste deplorável procedimento sucedia que, não só as crianças no período de amamentação, mas muitas outras que, para além desse período, se criavam ao encargo do cofre municipal, davam um apavorante contingente à mortalidade infantil.

Desesperadas as pobres amas de esperar a satisfação do pagamento - cuja dívida estava representada por um papel chamado Boleto - resolviam vender este documento aos mercadores, rebatendo-os com abatimentos de 50% e mais. 

Eis alguns desses contractos registados nas costaneiras dos mercadores do Toural:

1839 - Ag.to 1 - Comprei um Buleto de um enjeitado a Ant,º Luís e m.er Josefa M,ª do Miradouro - Souto dos Mortos - sendo o buleto de 5120 2.560
Idem a João de Freitas e m.er M.ª Victoria lug.r de Traz Gaia - 10.000 p. 5.000
Idem a M.ª Rosa solteira da estrada nova - 7665 3.600
Idem outro - 16.670 8.000
Idem - 3565 1.200
Carvalho, L.A. de - Os Mesteres de Guimarães - Mercadores e Mesteirais, 1946, Vol. VI, pág. 164

Como se vê pelos exemplos, os Boletos eram comprados pelos mercadores por cerca da metade do seu valor. Sujeitavam-se, assim, as amas a perderem parte substancial dos seus rendimentos, com óbvias consequências na sobrevivência das crianças.

kwADBraga
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