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16 de fevereiro de 2026

16 de fevereiro de 2026 por Maria do Céu Barros comentários


A nossa identidade familiar está estreitamente ligada à imagem que temos dos antepassados mais próximos, aqueles a quem a memória pessoal ainda permite alcançar (avós, bisavós, quando muito os trisavós). Assim, regra geral, revemo-nos nos tipos sociais, culturais, religiosos e geográficos que os definem ou definiram. No entanto, a nossa história é muito mais do que as três ou quatro gerações que nos precederam.

De facto, nas nossas árvores há uma diversidade que é central no fascínio que a Genealogia exerce sobre nós. As nossas perceções identitárias podem alterar-se, ou não, a partir do conhecimento que vamos tendo da nossa história de família. Para alguns é uma realidade, nomeadamente no que toca a descoberta de raízes cristã-novas, por vezes levando a um «retorno» ao judaísmo e à adoção de uma identidade judaica.

Felipe Bigarny - Batismo dos Mouros após a Conquista de Granada. 1522. Catedral de Granada

Essa raiz judaica, a menos que a família tenha mantido a sua memória presente ao longo das gerações, é difícil de provar no contexto ibérico por razões sobejamente conhecidas. Na maior parte dos casos apenas nos chegam rumores, quantas vezes levantados e explorados por terceiros empenhados em tornar essa linha desmerecedora dos cargos, estatutos e benesses que se propunha alcançar.

Investigar a origem desses rumores para avaliar a sua autenticidade é uma tarefa árdua, como já o era então, exigindo diversas competências e dedicação, qualidades amplamente demonstradas no estudo recentemente publicado pelo historiador Rui Faria, ao qual fomos buscar o título deste post.


Publicado na Revista de Guimarães [1], o artigo «Leonor Álvares de Passos: a busca de uma identidade cristã-nova» debruça-se sobre a ascendência e descendência desta matriarca dos séculos XVI/XVII. As provanças de «pureza de sangue» de vários dos seus descendentes imprimiram na burocracia muitas referências a essa identidade remota, sem, contudo, identificarem a sua origem. Através da análise de múltiplas fontes, Rui Faria estabelece a sua ligação à conhecida família Seia (também grafado Cea ou Sea), cristãos-novos processados pelo Santo Ofício e dispersos por diversas zonas geográficas, incluindo as Ilhas, a Índia e o Brasil.

Para além de traçar o perfil biográfico de Leonor Álvares de Passos e descrever a sua árvore e do seu marido, Francisco Martins da Rocha, «o Esquerdo» de alcunha, Rui Faria, centrando-se no contexto vimaranense, analisa os mecanismos e estratégias a que a família recorreu para se diluir no seio da sociedade cristã e garantir a sobrevivência da linhagem em tempos de intolerância e perseguição religiosa. Simultaneamente oferece uma reflexão sobre as interseções entre identidade, religião e poder.

O trabalho, baseado no estudo aprofundado de documentação coeva, inclui a leitura paleográfica dos principais documentos que o fundamentam. 

[1]  Rui Jerónimo Lopes Mendes de Faria. «Leonor Álvares de Passos: a busca de uma identidade cristã-nova». Revista de Guimarães (2024-2025), vol. 134-135: 329-401

A Revista de Guimarães é uma publicação da Sociedade Martins Sarmento, onde pode ser consultada ou adquirida.

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