Repositório de recursos e documentos com interesse para a Genealogia

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  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

  • Apelidos de família: de onde vêm, como se formaram.

  • Índices de passaportes, bilhetes de identidade, inquirições de genere e outros.

27 de maio de 2019

27 de maio de 2019 por Paula Peixoto comentários
A consulta de jornais e revistas da época pode servir como um veículo de informações para as nossas pesquisas genealógicas ou para proporcionar uma contextualização interessante aos nossos álbuns de memórias familiares que queremos deixar aos nossos filhos ou netos.
Assim, resolvemos criar uma gaveta no nosso blog onde iremos colocar as ligações, que formos encontrando, para acederem à imprensa digitalizada.
A lista está dividida em Nacionais, Locais e Além-mar onde se incluí também a imprensa do Brasil e outros.

Capa da Ilustração Portuguesa 12/5/1923 2ª Serie nº 899 (Pormenor)


N.B. Há mais jornais nos arquivos que podem ser consultados. Esta lista é apenas dos que se encontram online.

NACIONAIS

Arquivo Histórico Parlamentar - Diários e Actas dos Debates Parlamentares

Biblioteca Nacional de Portugal
Publicações Periódicas Digitalizadas

Diário da República Electrónico - Desde 5 De Outubro De 1910


LOCAIS

DISTRITO DE AVEIRO




DISTRITO DE BRAGA
Universidade Católica Portuguesa - Braga
Ilustração Católica 

Biblioteca Digital - Jornais de Braga

Casa de Sarmento - Núcleo de Documentação Abade de Tagilde, Guimarães

Arquivo Municipal Alfredo Pimenta
Notícias de Guimarães 1932-2012

Arquivo Municipal da Póvoa de Lanhoso
Jornal Maria da Fonte


DISTRITO DE COIMBRA


A Comarca de Arganil Digital - Câmara Municipal de Arganil


DISTRITO DE LEIRIA
Arquivo Distrital de Leiria

Biblioteca Municipal Simões de Almeida, Figueiró dos Vinhos


DISTRITO DE LISBOA
Diário de Lisboa - Fundação Mário Soares

Hemeroteca Municipal de Lisboa
Hemeroteca Digital

DISTRITO DO PORTO
Biblioteca Municipal do Porto

Biblioteca Municipal José Régio - Vila Do Conde

Arquivo Municipal Sophia de Melo Breyner - V.N. de Gaia


DISTRITO DE VIANA DO CASTELO
Arquivo Municipal de Ponte de Lima
Jornais Locais Ponte do Lima

Biblioteca Municipal de Viana do Castelo
Publicações Periódicas Digitalizadas

AÇORES
Centro de Conhecimento dos Açores - Biblioteca Digital
Por título (clicar em "Ver todos")


MADEIRA
Arquivo Regional da Madeira Digital


ALÉM-MAR

BRASIL
Biblioteca Nacional Brasileira

JusBrasil


TIMOR
Boletim Oficial de Timor - Arquivo Histórico Ultramarino


Sugerimos ainda uma visita à História de Papel, página onde é possível usar vários filtros e listar por localidades os periódicos da Biblioteca Nacional e de outros repositórios.

Algumas ligações foram obtidas na página Mercúrio SubRosa

Inicialmente publicado em 14/04/2015
kwADBraga kwADVianadoCastelo kwADLeiria kwADCoimbra kwADPorto kwADAveiro kwADLisboa

21 de maio de 2019

21 de maio de 2019 por Maria do Céu Barros comentários

Mais um exemplo de "imaginação controlada " da autoria de Belo Marques, a quem agradecemos.

Por Belo Marques

Ao Matrimónio de Domingos Gonçalves com Domingas Gonçalves desta freguesia, filha de Geraldo Gonçalves e de sua mulher Isabel Francisca do lugar do Assento, assisti eu Padre Joseph Cruz de Faria, Vigário desta Igreja de S. Lourenço de Celeirós, em 11 de Maio de 1670 de que foram testemunhas Domingos Gonçalves do Assento e António Martins de Santa Anna, em face do que me assino, dia, mez e anno ut Supra. O Vigário Joseph da Cruz de Faria 



Corria o ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1677 (D. Afonso VI).
O mar, ainda que pouco ondulado fazia gemer a estrutura de pinho da nau Santa Clara. Já navegava há algum tempo. Fizera-se ao mar às primeiras horas da manhã. Lá longe, adivinhava-se o Sol a querer romper. De feição soprava um vento frio que, não sendo forte, chegava para enfunar aquele enorme pano branco que tanta azáfama provocou ao içar.
De quando em vez elevava-se da proa uma cortina de água salgada que o vento transformava em neblina. O sal e frio ajudavam a temperar as peles curtidas dos marinheiros de pés descalços que, agastados de tanto adriçar, circulavam pelo convés arrumando barricas enquanto o Contramestre dava ordens ao timoneiro e tomava conta do mar. O barulho das gaivotas misturava-se com o cortar das ondas. Na linha do horizonte a luz tomava conta do céu.


Os primeiros raios solares já se faziam refletir na vela mestra, emprestando ao convés uma cor dourada, entrelaçada por cordas esticadas. Aos poucos lá se vão afastando da costa. Cada homem leva consigo, para além da tarefa que lhe cabe nesta campanha, esperança do regresso. Envolto em pensamentos, Domingos Gonçalves nem se dera conta da passagem da Barra... há muito que esta ficara para trás.

Em Celeirós, depois de um dia de trabalho, Domingas Gonçalves vestida de preto com a foice na mão, lá vem de “Covas de Baixo” ladeira acima para o “Assento” com os socos gastos nos pés e com o cansaço estampado no rosto; Já avista a casa de seu pai ladeada de dois frondosos castanheiros e uma macieira brava. É casa de um sobrado com escadas em pedra bem talhadas harmonizando o granito com o vermelho pálido da telha romana. Cansada da monda, sempre arranja forças para dar de comer aos animais que ficam na parte térrea da casa, lida e que já há muito se tornara rotineira.
Isabel Francisca sua mãe, acabara de tirar o leite às cabras e prepara-se para tratar da ceia, um caldo de sopa galega, misturada com o feijão que a terra generosamente lhes oferece. Acompanhar não falta a saborosa broa de milho… Enquanto isso, Geraldo seu pai, na sua camisa de estopa manchada de sebo e com um velho gorro na cabeça, não acaba o dia sem antes, devotar algum tempo àquele tear que está a construir com certa meticulosidade. De enxó na mão lá vai aparelhando as madeiras que no final lhe irão dar forma. Faz ideia de quando o acabar, vende-lo em Ferreiros na feira da Misericórdia.


Construir teares, era para ele um complemento da atividade agrícola, arte que aprendera desde rapaz com seu pai.
Este trabalho excecional representava um pé-de-meia que sempre o ajudara a contrabalançar os anos maus na lavoura.
É aqui em casa de seu pai que Domingas se acolhe e encontra o conforto nas horas de tristeza e de saudade.
À luz da candeia, com a mão sobre a barriga faz contas ao tempo; Ao pensamento ocorre-lhe mil perigos a que Domingos está sujeito naquele mar em que tanta gente vai e não volta, e pede a proteção de Santa Ana que o traga de volta para que a criança que trás no ventre o possa vir a conhecer: reza baixinho a Deus que lhe traga boa sorte.
Ao seu lado, com o sono a querer tomar conta de si, Isabel Francisca, sua mãe, vai tecendo um pequenino chambre, aproveitando o último calor daquelas canhotas já meia apagadas, mas que mesmo assim ainda vão dando algum conforto aquela sala semi-escura, onde o pavio daquela pequena chama que baila no candeeiro teima em continuar, deixando no ar um cheiro a sebo, odor a que todos estão habituados.
Cansado, Geraldo, cedo se recolhe ao leito, mas sem antes em conjunto fazerem as orações ao divino. Cumpria-se assim mais um dia na rotina desta família que tinha na terra o sustento do corpo e Deus por conforto da alma.

Sabendo-se que, historicamente o Norte deu muita gente ao mar1, esta bem podia ser a história de Domingos Gonçalves.
Todavia, da sua verdadeira história, para além do que vem escrito no assento do seu casamento, nada mais se sabe.


1 No início do sec. XVI, a região do Entre-Douro-e-Minho continuava a ser a mais densamente povoada de todo o País apesar de, ao longo do século anterior, terem tido aqui a sua origem grande parte dos movimentos migratórios que acompanharam os Descobrimentos. Esta situação manteve-se ao longo dos séculos seguintes.
“Todavia, com as navegações, os camponeses minhotos programavam o destino entre a opção de trabalhar a terra, onde a fome espreitava sempre e as pestes ameaçavam, e o apelo das caravelas e da imigração para outros mundos.”. -Rui Feijó/João Arriscado Nunes - Cadernos do Noroeste


18 de maio de 2019

18 de maio de 2019 por Manuela Alves comentários
Onde a tua pessoa, onde o que eras tu? …
Que é de ti?
Eis que começa a tua longa viagem para a vertigem das eras, para a desaparição do silêncio dos milénios. Sim, agora vives para mim porque te sei.

Virgílio Ferreira, in Aparição.

Na sequência de uma conversa no grupo sobre como preencher as lacunas documentais, sem pôr em causa o rigor genealógico, a Maria David Eloy deu testemunho com alguns exemplos retirados da sua própria prática, em que a honestidade genealógica não fica beliscado pela escrita mais "livre e imaginativa" que tivermos , se colmatarmos as falhas existentes de certo tipo de informações com o que pudermos "retirar" das entrelinhas, usando "talvez", “quem sabe", "provavelmente", "possivelmente"...etc. que foram sugeridos por outros interlocutores.

Para memória futura e com o nosso agradecimento, aqui se partilham pequenos excertos que a Maria David Eloy escreveu:

Por Maria David Eloy

Francisco Lopes Preto -11°avô
Não seria fácil, com toda a certeza, deambular pelas ruas do lugar e escutar os sussurros que se escapavam da boca dos coscuvilheiros da terra, à sua passagem. A terra era bastante pequena, um simples lugar onde todos se conheciam e as novidades espalhavam-se com o vento. Talvez fosse mesmo um misto de compaixão, da parte de uns, quem sabe um misto de vingança, da parte de outros, quando eles murmuravam entre dentes "...lá vai o filho da queimada...”. Quem o viu nascer, crescer, tomar corpo, não podia imaginar para que fados o destino o empurrara. Ou talvez não, se fosse caso de ser pessoa atenta e soubesse olhar à sua volta, com olhos de ver, olhos do corpo e olhos da alma. Mas nem seu próprio padrinho, António Mendes, que foi o vigário da Fatela e tinha outra preparação, mal podia imaginar os sofrimentos que aquele menino iria ter, ao longo da vida, quando lhe deu o nome na pia baptismal da Igreja de S. Martinho, ali mesmo no lugar do Fundão. Já quanto ao que teria passado pela mente da sua madrinha, tia paterna dele, de seu nome Beatriz Rodrigues, e que já vira muito sofrimento na família, ela sabia que este seria uma constante ao longo da sua vida, como tinha acontecido antes com todos os parentes mais ou menos próximos e continuaria a ser no futuro, enquanto a maldita Inquisição durasse.

Nas suas declarações, nada acrescentou ao que dela exigiam, antes pelo contrário. Sem grandes exercícios de imaginação, quase podemos vislumbrar uma atitude de desafio perante os presentes quando se justificava, face aos erros que lhe apontavam, que ”no tempo em que andava errada não confessava estes erros a seus confessores por os não ter por tais e não crer na confissão nem nos mais sacramentos da Igreja, os quais tomava e fazia as mais obras de cristã por cumprimento do mundo”.

A sentença foi cumprida no Auto de Fé do dia 5 de Abril de 1620. Era domingo. Tinha quarenta anos e deixara inconsoláveis os seus três filhos. 

Francisco Manuel não mais voltou a ser o mesmo. Desde a morte da mãe que se habituara a ouvir os tais sussurros, à sua passagem, “...lá vai o filho da queimada...”. Podemos imaginá-lo a voltar o rosto, de raivas contidas, direito à maledicência, respondendo com altivez “sou filho da queimada, sim, e depois??...”.

 Diogo Mendes Pereira - 7° avô
Naquela manhã do dia 30 de Janeiro, a vila da Covilhã devia estar soberba, sob o costumado manto branco que a cobria, mal começava o inverno. Corria o ano de 1692. Será fácil imaginar a velha igreja de S.Pedro, na sua pedra encardida, granito amarelado a puxar para uma paleta de cinzentos, alguns pingentes de gelo tombando em estalactites da torre sineira e o piso térreo exterior, irregular e de pedra solta, empapado de lamas e de bostas. Ali os invernos eram rigorosos. Seria assim porque naqueles tempos o tempo ainda era cheio de rotinas e cada estação era bem demarcada nos calendários, que a agricultura seguia e tornava lei.

A verdade é que quase todas as denúncias se resumem sempre à mesma ladaínha: observância dos jejuns e do shabat, com a inerente roupa lavada, azeite limpo e torcidas novas para as candeias, restrições no consumo de carne, utilização de vasilhames novos em caso de falecimento de algum membro chegado da família.
Quando Branca Maria, mulher de Duarte Navarro, denunciou, foi isso mesmo que disse e o escrivão registou numa caligrafia inclinada e estilosa: “...disse mais que haverá quatro anos, na vila da Covilhã, em casa dela confitente, se achou com Diogo Pereira, seu parente, ...consertando na sexta feira à tarde a candeia com azeite limpo e torcida nova, a qual havia de estar em casa todo o dia de sábado, faziam jejum no dia grande do mês de setembro, estando todo o dia sem comer nem beber, desde o pôr-do-sol até ao outro dia às mesmas horas, e antes deste jejum faziam outro chamado de capitão, oito dias antes, e mais três no ano…”

Francisco Mendes Paredes -10º avô

Preso Francisco Mendes Paredes, é lógico que toda a família se começou logo a movimentar na execução das estratégias, tanto mais que ainda não tinha decorrido um mês sobre o acontecimento e já o édito de prisão para Branca Rodrigues, sua mulher, era publicado em 22 de Dezembro. O palavreado era bem claro “…mandamos a qualquer Familiar ou Oficial do Santo Ofício…a prendais com sequestro de bens, presa a bom recato com cama e mais fato necessário a seu uso e cinquenta mil réis em dinheiro para seus alimentos, a trareis e entregareis debaixo de chave ao alcaide dos cárceres secretos …”. Assim se fez, com o zelo costumado, sendo entregue nos ditos cárceres em 16 de Janeiro de 1664.


14 de maio de 2019

14 de maio de 2019 por Maria do Céu Barros comentários

Por Márcia Helena Miranda de Sousa

Fazer pesquisas no Brasil não é algo fácil, pela dimensão continental do país e/ou pela falta de fontes de pesquisas em todo seu território.
A primeira “capital” do Brasil foi Salvador (1549-1763), depois a cidade do Rio de Janeiro (1763-1960), e depois Brasília (atual). Gosto muito da imagem abaixo (desconheço o autor), pois ajuda a entenderem a dificuldade que existe em responder quando alguém diz: “Pode me ajudar a encontrar um familiar no Brasil?”

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