Repositório de recursos e documentos com interesse para a Genealogia

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  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

  • Apelidos de família: de onde vêm, como se formaram.

  • Índices de passaportes, bilhetes de identidade, inquirições de genere e outros.

23 de outubro de 2017

23 de outubro de 2017 por Maria do Céu Barros comentários
Os processos de dispensas matrimoniais são regulados pelas Constituições Sinodais do Arcebispo D. Sebastião de Matos e Noronha em 1637. Aí se estabeleciam que eram proibidos os casamentos entre pessoas com relações de consanguinidade/afinidade até ao grau estipulado pela legislação eclesiástica. Contudo, quando se verificassem motivos válidos e pertinentes para a realização desses casamentos era possível iniciar um processo que, verificando-se todas as exigências, era susceptível de conduzir à dispensa do grau de parentesco e consequente autorização para casar.

A série é composta por processos oriundos, geograficamente, de todo o território do Arcebispado de Braga. Cada processo apresenta diversos documentos, nomeadamente: requerimentos, breves apostólicos, declarações dos requerentes e de testemunhas, árvores genealógicas dos requerentes, penitências, transcrições de certidões de óbito, etc.
Fonte: ADB

La bénédiction du jeune couple avant le mariage - Pascal Dagnan


Esta documentação encontra-se digitalizada pelo FamilySearch, mas apenas uma parte está descrita na página do Arquivo Distrital de Braga, contendo os nomes dos nubentes, as suas naturalidades e a data da dispensa. Trata-se de uma série há muito aguardada, dado o seu interesse para Genealogia. O ficheiro Excel, contém essas descrições assim como os links para os respectivos processos no FamilySearch. 


Note bem: existem muito mais licenças para além destas, mas ainda não foram catalogadas pelo ADB. Se não encontram no ficheiro o que procuram, podem pesquisar no FamilySearch, onde existem os processos, mas não as descrições (terão de abrir os processos, um a um, até encontrarem o que procuram).

Os casamentos consanguíneos constituíam, muitas vezes, um mecanismo de manutenção ou aquisição de bens, sobretudo de  natureza fundiária. Sugerimos, assim,  a leitura do artigo Propriedade agrária e arranjos matrimoniais: uma análise comparada entre São Paulo do Muriahé e Minho, no século XIX, de Vitória Fernanda Schettini de Andrade, onde esta relação casamento/terra é analisada.

kwADBraga
Originalmente publicado em 31/03/2017

19 de outubro de 2017

19 de outubro de 2017 por Maria do Céu Barros comentários
Já aqui temos falado das Habilitações do Santo Ofício como fontes muito importantes na pesquisa genealógica. Se é certo que os paroquiais, de longe a longe, nos permitem apreender alguns vislumbres da realidade daqueles tempos, é nas habilitações que encontramos as fatalidades, os embaraços pelos antepassados de infecta nação, a ambição a par do desespero perante o desvendar  de vergônteas inconvenientes, as deslocações e ausências da terra natal, ecos de um império impossível, a ilegitimidade, a amizade e a rivalidade... enfim, todo um escrutinar de vidas cujo propósito, com fins nada honrosos aos olhos de hoje, gerou resmas de folhas que nos ajudam a escrever a história das nossas famílias para lá do mero acumular de nomes e parentescos.

Serve esta pequena reflexão de introdução à carta que aqui se partilha, datada de 1695, transcrita de uma habilitação (com alguns arranjos para maior facilidade de leitura), onde nos é dada notícia das andanças de Sebastião Gonçalves e de sua mulher Verónica Dias, bisavós do remetente, vítimas da peste e exemplos de luta pela sobrevivência nesses tempos tão adversos. Nela encontram também a explicação da origem de um apelido.



Meu primo (…) 

Já creio saberá V. Mercê como o Reverendo Dr. Provisor nas inquirições da habilitação (...), saiu com seu despacho, pedindo faça declaração da origem do avô materno chamado Sebastião Gonçalves e, tirando informações (…), me informaram ser filho de Salvador Gonçalves e de sua mulher Verónica Dias, moradores que foram (…) nas casas que ficam por cima das de Jerónimo de Magalhães, na esquina da viela ou travessa que vai para a rua de Trás-o-Terreiro dos Padres Loios, que são as que ficam contíguas às casas do dito Jerónimo de Magalhães, e que nelas ficaram vivendo o dito Salvador Gonçalves, pelo seu ofício de cabeiro, e que aí nascera o dito meu avô e outra sua irmã, Maria Ferreira, que foi a mãe de Maria Carneira (…), isto antes que houvesse a peste nesta cidade que parece foi no ano de 1581, conforme o que achei nas sepulturas que estão fora do postigo de Santo António desta cidade, aonde dizem estão enterradas as pessoas que morreram de peste, e não consta houvesse desde então semelhante mal nesta cidade. O que suposto dizem que quando Salvador Gonçalves, antes que houvesse a peste e sendo então o dito Sebastião, meu avô, criança, o mandaram (…) para casa de seus irmãos, que dizem eram sete irmãos moradores na rua do Bairro da dita freguesia (…), dos quais V. Mercê também procede, e a um dos ditos irmãos se chamava Cabeça de Leitão, donde procederam ao depois os Leitões ou Leitoas suas filhas. E que o motivo que houve para se chamarem ao depois de apelido dos Leitões, foi porque, como estivesse o dito irmão de Salvador Gonçalves doente de doença que foi necessário cortar o cabelo, indo à dita igreja rapado, lhe chamaram então as moças daquela freguesia Cabeça de Leitão. E que, como nesta cidade apertasse o dito mal da peste, se foram o dito Salvador Gonçalves e a dita Verónica Dias dela fugindo e levaram em sua companhia a dita Maria, sua filha, que ainda então criavam ao peito por ser criança; e que, chegando à dita freguesia donde era natural, o dito seu irmão o não quis recolher, com o pretexto e receio de que iam ferrados da peste, e lhe fizeram uma barraca ou cabana no monte pegado à dita freguesia, para lá viverem, e lhe levavam de comer e, com efeito, indo o dito Salvador Gonçalves com sua mulher e filha para a dita cabana, sucedeu, daí a dias, morrer nela o dito Salvador Gonçalves, o qual sua mulher enterrou e para isso lhe deram mortalha acochada, e ficou a dita sua mulher vivendo alguns dias, criando ao peito a dita sua filha Maria, até que sucedeu chegar aos termos de morrer e, sentindo-se desta sorte, pediu mortalha e se enterrou a si própria até aos peitos que deixou de fora para a dita criança neles mamar enquanto pudesse. E que, sabendo-se desse desespero, fora o juiz ou ouvidor daquela terra e freguesia e tiraram a dita criança e, para se acabar de criar, apenaram e constrangeram uma mulher de leite, a qual mandaram pôr em outra barraca ou cabana que para isso fizeram; e sucedeu escapar do dito mal a criança e mulher, e que a dita criança se criou ao depois na dita freguesia, em casa dos ditos parentes, aonde era tratada por a menina do milagre em razão de ter escapado do dito mal de peste, até que veio a ser enamorada do morgado (…) que teve a dita filha (…) que veio a falecer religiosa no convento de Santa Clara desta cidade. E que, tendo notícia disso, o dito Sebastião Gonçalves, seu irmão e meu avô, que nesta cidade estava trabalhando de cabeiro, se foi à dita freguesia a buscar a dita irmã para a matar por se haver desonestado com o dito morgado que saiu com seus criados a impedi-lo, de que resultou brigas e pancadarias e houveram feridos e por essa causa a não tratou mais por irmã… 


18 de outubro de 2017

18 de outubro de 2017 por Paula Peixoto comentários
Há mais de 15 anos que compilo informação sobre história, tradições e curiosidades das Forças Armadas Portuguesas. O resultado deste trabalho foi organizado num projeto para publicação mas que, por indisponibilidade das instituições que contatei e falta de interesse das editoras, estaria condenado a "morrer" numa das minhas gavetas.
Pensando melhor, decidi disponibilizá-lo neste espaço para que possa ser utilizado para estudo, tirar dúvidas ou como simples leitura curiosa...
Divulguem por todos os vossos amigos para que chegue ao maior número possível de pessoas, mostrando desta forma que as Forças Armadas também são cultura, também são património e, naturalmente, são uma das raízes do Portugal de hoje!
O autor, José Alves dos Santos

9 de outubro de 2017

9 de outubro de 2017 por GenealogiaFB comentários
A fim de facilitar a pesquisa de habilitações a cargos no Santo Ofício, em 2016 elaborámos índices de todos os processos existentes no ANTT, aqui publicados. Existem muitos erros de transcrição e até de ortografia nas descrições da DGLAB, um dos motivos pelos quais a pesquisa no Digitarq é pouco produtiva. Para verificar e corrigir tudo gastaríamos imenso tempo (somos apenas três pessoas), pelo que optámos por não mexer. O facto de estar tudo no índice permitiria a cada um localizar mais facilmente as pessoas que procuravam, ainda que os seus nomes não estivessem totalmente correctos.

Agora, em colaboração com o Repositório Histórico, foi criada uma base de dados para estes processos. Qualquer utilizador pode aí pesquisar a partir da página de índice, e pode também, simultaneamente, indexar o processo, ou processos, que consulta. Estará, assim, a contribuir para o enriquecimento da base de dados, seja pela adição de informações em falta (naturalidades, pais, avós, etc), seja pelo envio de correções a possíveis erros que detectem. 

Clique na imagem para aceder à base de dados
Uma das grandes vantagens desta base de dados é permitir ainda a indexação de cônjuges, ou futuros cônjuges, também habilitados pelo Santo Ofício, o que aumenta imenso as possibilidades de pesquisa.

A pesquisa é livre, mas contamos com a colaboração de todos. Caso se verifique uma elevada desproporção entre consultas e indexação,  a pesquisa na base de dados poderá, eventualmente, ser restringida àqueles que para ela contribuem, continuando, no entanto, a ser gratuita.

Há projectos que são, e serão sempre, gratuitos. É o caso do Repositório Histórico, com quem o GenealogiaFB colabora activamente, participando também na sua gestão, e um leque crescente de colaboradores que fazem isto exclusivamente por gostarem de o fazer, porque acreditam nas vantagens da livre circulação da informação, porque acham que estão a contribuir para o desenvolvimento cultural da sua região e do país, assim como da Genealogia em particular.
A parte informática do projecto é desenvolvida gratuitamente por uma empresa da área. Porque o faz pro bono, faz todo o sentido que o Repositório Histórico faça a respectiva atribuição na sua página, tal como o faz para todos os colaboradores.

Agradecemos à M Eduarda Fernandes, à Cláudia Gil, ao Manuel Silva Lopes, ao Fernando Correia, ao João Carrilho, à Conceição Oliveira e ao Carlos Maia, a disponibilidade e simpatia com que responderam ao nosso pedido de ajuda na fase de testes desta nova ferramenta, assim como toda a colaboração prestada.

Os ficheiros Excel continuam disponíveis aqui, mas não serão actualizados. Recomendamos, por isso, vivamente a utilização da base de dados no Repositório Histórico.


Série ANTT
Índice
Descrição
Habilitações
15[?]-18[?]
Diligências de habilitandos a diversos cargos do Tribunal do Santo Ofício, predominantemente para o de familiar.
Habilitações Incompletas
1588-1820
Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações Incompletas
Habilitações de Mulheres
1606-1818
Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações de Mulheres



8 de outubro de 2017

8 de outubro de 2017 por Manuela Alves comentários
Actualmente, o Bispado de Lamego é constituído por 14  arciprestados com 223 paróquias. Como característica única na organização eclesiástica portuguesa. é o facto  da sua sede, a cidade de Lamego, não ser capital de um Distrito.

Dada a organização eclesiástica ser muitas vezes a referência usada pelos párocos nos registos vitais, é importante para as nossas pesquisas conhecer essa organização.

Já aqui falamos da evolução da divisão administrativa de Portugal, com destaque para o fabuloso Atlas Histórico, ferramenta online que permite a pesquisa de paróquias, municípios, bispados, comarcas, mostrando também as alterações que essas divisões foram sofrendo ao longo do tempo.


Bispado de Lamego em 1758 e 1801 (clicar nas imagens para aumentar)

Revimos e actualizamos, com mapas relativos aos concelhos/arciprestados deste bispado, uma lista de 2006 publicada por Victor Ferreira no Forum Geneall, que podem consultar aqui.

Sobre a diocese:
Desde a fundação da diocese, formalizada  cerca do ano 570, por influência de S. Martinho de Dume que a submeteu naturalmente à metrópole bracarense, o bispado estendeu-se pela área que hoje ocupa, acrescentada dos concelhos de Arouca e Castelo de Paiva, desanexados mais tarde aquando da criação e depois restauração da diocese de Aveiro. Desde 4 de Julho de 1403 até 1770, ano da erecção da diocese de Pinhel, Lamego integrou também o vasto território de Riba-Côa, desde o rio Douro ao Sabugal, num total de 60 freguesias; desde 1882 até à criação do bispado de Vila Real, em 1922, estendeu-se para além-Douro, pelos concelhos de Alijó, Régua, Santa Marta de Penaguião, Mesão Frio, Sabrosa e Murça (Fonte: Diocese de Lamego)


5 de outubro de 2017

5 de outubro de 2017 por Manuela Alves comentários

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